Migrantes povoam favelas de Curitiba
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Israel Reinstein 
A Central de Movimentos Populares estima que diariamente cheguem 100 migrantes a Curitiba. O coordenador da central, Márcio Sales, afirma, mesmo sem contar com dados estatísticos, que um percentual grande - acima de 30% - acabaria ficando nas favelas da cidade. São pessoas como a doceira Clemair Katematrei, que há dois meses deixou Coronel Vivida para morar na favela que fica ao lado do Parque do Peladeiro, entre Curitiba e São José dos Pinhais.
Sales afirma que estas pessoas estariam vivendo em 200 áreas irregulares. Ao todo, o movimento estima que entre 45 mil a 50 mil famílias vivem nestes locais, o que equivale a cerca de 200 mil pessoas. O coordenador do movimento baseia suas informações em levantamento estatístico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ele acrescenta que a maioria é pobre e não tem emprego.
É o caso de Manoel Antônio Ribeiro, que vive na divisa entre São José dos Pinhais e Curitiba há seis meses. Desempregado há quatro anos, vive de bicos, depois de abandonar o posto de ajudante de produção e se dedicar a empregos na construção civil. Ontem, ele construía sua casa junto com o cunhado.
Ribeiro conta que há nove meses viajou para São Paulo para conseguir emprego, viajando, segundo ele, com passagem paga pela Casa da Acolhida e Regresso. Sem sucesso, voltou para Curitiba, com ajuda assistencial da prefeitura paulista.
Ribeiro não é um caso isolado na favela na fronteira curitibana. Ali vivem cerca de 400 famílias, muitas delas vindas do interior. Em Coronel Vivida, não tinha como viver mais, já que nem emprego a gente conseguia, conta a doceira Clemair. Acostumada a vender rapadura, ela diz ter passado fome no município de origem, a ponto de vender tudo e vir para capital.
Hoje, sua família recolhe papel, conseguindo comida graças à doação das pessoas. Além disso, Clemair cultiva milho, tendo uma plantação com cerca de 40 pés. Vamos ver se conseguimos juntar dinheiro para construir uma casa e pagar o terreno para a associação de moradores.


