Os migrantes tiveram influência direta no crescimento urbano de Curitiba verificado entre os anos de 91 e 96. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 136 mil pessoas chegaram a capital paranaense neste período. Uma boa parte do contigente foi formada por uma população de uma faixa etária bem jovem. Aproximadamente 42 mil pessoas tinham entre 15 a 24 anos de idade.
Dos 1,590 milhão de pessoas que vivem em Curitiba, 9,9% vieram de outras regiões do Estado e do País. As mulheres são maioria por aqui. Enquanto o sexo feminino tem 766 mil representantes na cidade, os homens formam uma população de 709 mil. A região sudeste do Brasil mandou o maior número de pessoas para o Estado: 25 mil pessoas. Em segundo lugar vêm os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul com 17 mil pessoas.
Entre os 25 municípios que formam a Região Metropolitana, Curitiba concentra cerca de 60% da população. Os anos 70 demonstravam um outro perfil. A capital concentrava 70% de moradores. No final da década de 80 a participação caía para 63%.
Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) e o Instituto de Pesquisas Econômicas (IPEA) mostra que o processo de expansão populacional para os municípios vizinhos deve-se ao ‘‘resultado do adensamento da cidade pólo (Curitiba) e seu decorrente extravasamento sobre os municípios vizinhos’’. Este processo começa ainda na década de 70 quando inicia-se o processo de ocupação dos bairros não limítrofes ao Centro e seus bairros adjacentes, onde o custo da terra é mais acessível.
O resgate feito pelo IPPUC e IPEA chega à conclusão de que o processo de periferização da capital e o consequente extravasamento populacional para a RMC aconteceu porque dos 13 bairros mais populosos nos anos 70, ainda liderados pelo Centro, apenas três eram limítrofes: Água Verde, Rebouças e Mercês. Em 1980 o modelo de ocupação da periferia consolida-se quando o bairro Boqueirão torna-se o mais populoso da cidade, seguido pela Cidade Industrial (CIC), Cajuru e o Xaxim.
Em 1991, a ocupação da década anterior, caracterizada pelo sentido sudoeste da cidade, tem seu setor principal deslocado para o sentido sul da capital e para a CIC, que surge como o bairro mais populoso. Assim os bairros que mais cresceram foram, além do Boqueirão, o Sítio Cercado, Xaxim e Pinheirinho e o Alto Boqueirão. Pelo eixo estrutural Leste o Cajuru é o segundo bairro mais populoso. O estudo de IPPUC e IPEA confirma ‘‘a dinâmica de periferização de Curitiba, provocada pela oferta de áreas de baixo custo’’.

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