Migrações regionais desafiam
a área da educação pública
As correntes migratórias internas, provocadas pelo crescimento industrial de alguns centros urbanos regionais, são a principal preocupação para a área de educação pública no Estado para as próximas décadas. Com o crescimento populacional estabilizado e uma taxa de natalidade cada vez menor, a tendência é que haja uma previsibilidade maior das demandas por vagas em escolas públicas. Mas as migrações populacionais, comuns em sociedades que passam por transição do perfil de economia rural para urbana, como a do Paraná, obriga a um planejamento preciso das demandas futuras.
‘‘Não considero as migrações como um problema, pois a população tem direito de buscar melhor qualidade de vida’’, afirma a secretária de Estado da Educação, Alcyone Vasconcelos Saliba. A tendência é que o Estado passe a investir cada vez mais em reformas e ampliações das escolas existentes e menos em novos prédios. ‘‘Pelas projeções do Ipardes é possível prever que não haverá grandes flutuações no nosso público escolar para as próximas décadas, teremos que adequar o número de vagas para as regiões onde houver demanda’’, assinala.
Isso acontece hoje. O governo do Paraná vem investindo, desde 1995, cerca de R$ 44 milhões em obras em escolas ao ano. Sessenta e seis por cento desse total foi aplicado em ampliações, reformas e adequações de unidades que já existem. Apenas 33% dirigiram-se à construção de novos prédios. Pelo menos metade das vagas abertas nas novas escolas é para atender a transferência de alunos de outras regiões do Estado e não novos alunos do sistema.
Dos 31 núcleos regionais de Educação no Estado, seis apresentam crescimento significativo do número de novas matriculas todos os anos. Todos com crescimento industrial acima da média estadual. Os outros 24 núcleos regionais têm crescimento insignificante ou redução do número de novos matriculados todos os anos. ‘‘Em algumas regiões usamos salas de aulas para outras atividades da comunidade porque a infra-estrutura existente ficou superior à demanda das pequenas cidades que perderam população pelo processo migratório’’, explica Saliba.
Para a secretária, outra característica que o sistema de educação do Paraná deve manter nas próximas décadas é a forte participação do poder público. ‘‘Em todos os países que conseguiram um alto grau de desenvolvimento o Estado teve uma participação fundamental no ensino’’. O sistema de ensino particular no Paraná tem menor importância que no resto do País. Apenas 9% dos alunos do ensino fundamental, da 1ª à 8ª série, estudam em escolas particulares no Paraná. A média nacional é de 15%. No ensino médio, as escolas particulares atendem 13% dos alunos do Estado. A média nacional é de 30%. No ensino supletivo, apenas 6% dos alunos estão fora da rede pública.

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