Londrina – A migração da população de rua para as cidades vizinhas preocupa o poder público. Em Londrina, a Secretaria Municipal de Assistência Social estima que metade dos 300 moradores que vivem por aqui pertence a outros municípios. Em busca de soluções, representantes de 28 cidades do Paraná e São Paulo foram convidados a participar de um evento para discutir a situação. Uma das propostas é a criação de consórcios para beneficiar pequenos municípios.
O principal desafio listado por quem trabalha no setor é a organização dos serviços de assistência em cada cidade. A coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Tamarana, Isabela Mastelini, contou que a falta de recursos e a pouca demanda no município dificultam a realização dos trabalhos. "Não temos um serviço especializado para fazer a abordagem na rua e atender esses moradores. Eles nos procuram para pedir vale transporte e nós disponibilizamos quando conseguimos comprovar que há um vínculo familiar no local de destino", explicou. Apesar da triagem, ela disse acreditar que muitos conseguem outros meios de partir rumo as cidades vizinhas em busca de atendimento.
A psicóloga Alessandra Silva, que trabalha no Creas em Sertanópolis, ressaltou que os trabalhos são feitos por meio de um núcleo especializado. "Temos Cras, mas não temos Creas, que é o serviço especializado. Tentamos realizar os trabalhos por meio desse núcleo, mas não temos abrigo na cidade para acolher os adultos. Grande parte fica na rodoviária e contamos com a ajuda da população para doar roupas e alimentos", relatou. Segundo ela, a prefeitura também fornece passagens para os moradores. No entanto, muitos preferem não retomar o contato com a família e buscar novas rotas.
Em Londrina são cinco abrigos, um Centro de Referência para a População em Situação de Rua (Centro Pop) e o Serviço de Abordagem Social. Conforme a coordenadora do Centro Pop, Mariluci Queiroz dos Santos, a maioria das cidades possui menos de 50 mil habitantes, o que dificulta o acesso aos recursos financeiros. "Uma das propostas é a criação de consórcios com pequenos municípios para que a gente possa estabelecer uma rede de assistência regionalizada e integrar as ações", afirmou.
A secretária de Assistência Social de Londrina, Télcia Lamônica de Oliveira, informou que a prefeitura consegue oferecer refeições para grande parte dos moradores de rua. "Temos vários grupos de voluntários, dez refeições no Restaurante Popular, 172 vagas nos abrigos, 14 vagas na Casa de Passagem, além de outras cinco para quem não passa a noite na cidade", explicou.

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