É mês de Ramadã. Nagib e Sumayya jejuam durante o dia e comem somente depois de o sol se pôr. Nesse período, os muçulmanos se dedicam à oração jejuando de comida, bebida, fumo e até de remédios dispensáveis. Antes de se converterem ao Islã, Nagib era chamado de Jorge Francisco dos Santos, e Sumayya de Sônia Maria Alessi Aristides. Ambos eram da religião adventista, e antes disso eram católicos. Conheceram o Islã na mesma época, quando eram casados, mas cada um por uma razão diferente.
  Nagib conta que se interessou pela religião islâmica impressionado com os cuidados com a higiene dos muçulmanos, percebidos pelo torneiro mecânico aposentado através da foto de uma mesquita, onde vários pares de sapatos ficavam do lado de fora. ‘‘Quando a gente vai entrar nas mesquitas, deixa o sapato do lado de fora porque, andando pelas ruas, você pode ver em quanta coisa a gente pisa. Não é lícito entrar com calçados na casa de oração de Deus. Ainda mais que a gente vai se prostrar com o rosto no chão’’, diz. A partir daí, Nagib procurou a mesquita em Londrina e se converteu. Em 2007, foi à Meca, na Arábia Saudita, para o Hajj, peregrinação que todo muçulmano com condições financeiras e de saúde deve fazer ao menos uma vez na vida.
  Já a valorização da mulher no Islã foi uma das questões que chamaram a atenção de Sumayya. Para ela, o fato de a mulher muçulmana se cobrir da cabeça aos pés em alguns países é sinônimo de valorização. ‘‘Existem várias fotos de mulheres que mostram somente os olhos. A beleza que existe naquele olhar é fabulosa. Transmite uma beleza que todo mundo vai querer conhecer’’, observa.
  Segundo o sheik da Mesquita Islâmica de Londrina, Yamani Abdul Lur Muhammad, para o Islã, todas as pessoas já nascem muçulmanas. Muçulmano vem da palavra árabe ‘‘muslin’’, que quer dizer ‘‘aquele que aceita a ordem de Deus’’. Quando elas seguem outras religiões e depois procuram o islamismo, elas estão voltando às suas origens.
  Apesar da divulgação nem sempre positiva na mídia, o Islã é a religião que mais cresce no mundo. Isso se deve, para o sheik, à contradição que as pessoas encontram entre o que é divulgado na mídia e o que a religião é realmente. ‘‘As pessoas começam a ver que a mídia fala uma coisa, só que quando vão procurar o conhecimento, vêem outra coisa completamente oposta. Então, cria uma vontade de saber mais e mais. No final, quanto mais as pessoas procuram, mais acabam aceitando a religião islâmica.’’ (M.F.C.)

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