Microempresários do bairro Bacacheri, em Curitiba, estão protestando contra a demora do Banco do Brasil em repassar recursos do Programa de Geração de Renda (Proger). Segundo eles, o o banco estaria burocratizando o empréstimo. Mas, a assessoria de crédito da instituição rebate as acusações, informando que a seleção dos financiamentos é feita seguindo as regras do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador.
De acordo com o empresário Boris Leal dos Santos, proprietário da Terres Distribuidora, o Banco do Brasil discrimina o pequeno empreendedor na hora da seleção do empréstimo. ‘‘Eles não levam em conta a documentação, mas a conta corrente de quem empresta’’, criticou. O empresário e ativista ambiental João Bello, proprietário da J.B. Promoções Humanas e Culturais, disse que essa atitude do banco é prejudicial ao setor, porque é nas micro e pequenas empresas que estão empregados 70% dos trabalhadores.
Santos contou que seu processo, iniciado em agosto do ano passado, ficou parado por mais de 90 dias. Ele queria financiamento para ampliação do negócio e linha de capital de giro. ‘‘Depois de muita insistência, a gerente do banco me disse que como não era cliente preferencial teria que esperar na fila de candidatos’’, lembrou. Por causa da demora, a Terres Distribuidora demitiu seis dos seus 14 funcionários. O empresário deu como garantia seu estoque de material gráfico - no valor de R$ 47 mil. ‘‘Precisava de R$ 10 mil, mas tinnha R$ 47 mil e mais R$ 30 mil de faturamento mensal, por isso não entendo a recusa’’, queixou-se.
Além de Santos, o ativista ambiental João Bello teve que demitir funcionários. ‘‘Coloquei na rua três dos meus nove funcionários, que eram gente qualificada na área que atuavam’’, disse. Bello tentou obter um financiamento de R$ 3 mil. ‘‘Apresentei todos os documentos que eles pediram, mas mesmo assim, me enrolaram por mais de três meses’’, reclamou.
Agora a meta dos empresários é criar uma frente para reivindicar seus direitos. ‘‘Queremos que os bancos passem a se preocupar com o pequeno empreendedor da mesma maneira que tratam o megaempresário’’, afirmou, acrescentando que esse movimento deve se chamar Frente de Microempresários Independentes (FMI). Esse movimento já conta com a adesão de dez empresários.
Banco do Brasil - O assessor de Crédito Geral da Superintendência do Banco do Brasil, Evaldo Emiliano de Souza, explica que não conhece o teor dos casos desses empresários. ‘‘Se eles tiveram problemas na obtenção do crédito podiam ter reclamado através da Secretaria Estadual do Trabalho, que tem um canal especial para o atendimento dos empresários’’, afirmou.
Souza disse que os casos dos empresários são uma exceção, já que o Paraná é o Estado que mais financia microempresas no País. ‘‘No Brasil, foram aplicadas nesta linha R$ 342,47 milhões e, no Paraná, R$ 49 milhões’’, disse.
No ano passado, prossegue Souza, o Codefat suspendeu as operações de empréstimo, por causa da alta inadimplência, que beirava quase 6% no Estado. ‘‘Agora, depois de uma reunião entre a Secretaria Estadual do Trabalho e o Conselho Estadual de Trabalho, foram estabelecidas novas regras para a liberação dos financiamentos’’, informou. O acordo prevê treinamento na área de gerenciamento.

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