''É horrível, muito apertado.'' Assim a cozinheira Maria José Vitorino Pinto define uma viagem de microônibus pela cidade. Todo dia ela sobe no veículo que faz a linha 408, até a Vila Recreio, Região Central de Londrina, para trabalhar. Para ela, as manhãs são difíceis, mas à tarde é pior. ''O ônibus enche de motoristas e cobradores que vão para a garagem e aí não tem lugar para sentar.''
Maria José contou que já reclamou diversas vezes, mas nada foi feito. Como ela, a dona-de-casa Irivan dos Santos Melo utiliza o 408 para levar a filha, que é especial, para escola. ''Não pego todo dia, mas quando pego tá sempre cheio'', declarou. Para ela, ''melhor mesmo é o ônibus grande''.
O estudante Everton Marques dos Santos utiliza diariamente a linha 101, que liga o Conjunto Novo Amparo, Zona Leste, ao Centro. Para ele, o microônibus dificulta a entrada e saída dos passageiros, ''porque tem só duas portas'', diferente do ônibus normal. ''Depois das 17h30 tá sempre lotado'', reclamou o menino, que também utiliza o mesmo veículo pouco antes do meio-dia.
Já a aposentada Maria Costa de Oliveira, que vive em Londrina há apenas seis meses, é dos poucos passageiros que não vêem diferença entre ônibus e microônibus. Ela costuma vir da Zona Leste para o Centro quase todos os dias, ''para fazer compras, buscar remédios'' e garantiu que nunca enfrentou problemas na linha 101. ''Nunca peguei ônibus cheio, mas quando tem muita gente, os mais novos dão lugar'', afirmou.
Seguindo a tendência de outros grandes centros urbanos, Londrina investiu no uso de microônibus para diminuir custos com o transporte coletivo. Em dezembro de 2003 a primeira frota de veículos menores, que comportam até 50 pessoas, foi colocada nas ruas. Hoje, dos 351 ônibus que rodam pela cidade, 44 são microônibus.
Mas o que poderia ser a solução de questões financeiras gerou problemas entre usuários acostumados a viajar sem aperto nos coletivos. ''No começo, houve muita reclamação e algumas linhas até voltaram a funcionar com ônibus normais, como aconteceu com a linha 412, que trafega pelo Conjunto Ilda Mandarino, na Zona Norte da cidade'', afirmou o coordenador de transporte coletivo da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson de Jesus.
Segundo ele, os microônibus têm sido usados preferencialmente nas linhas alimentadoras dos terminais de bairro. Nos fins de semana, quando a demanda é mais baixa, mais micros são colocados à disposição dos usuários no Centro da cidade.
''Diariamente, o pico de usuários acontece entre 6h30 e 8 horas, pela manhã, e entre às 17 e às 19 horas, à noite'', informou Jesus. Segundo ele, na hora do rush, em locais de maior movimentação, os ônibus substituem os microônibus, que funcionam apenas no horário de entrepico.
Conforme calculou Jesus, o número de veículos cresceu apenas cinco unidades desde a implantação, há quatro anos. Do total de microônibus, 19 pertencem à Francovig e o restante à Transportes Coletivos Grande Londrina. ''A decisão pelo microônibus não envolve o barateamento dos custos por si só. A demanda é avaliada e se for comprovado que há necessidade de um ônibus maior, é feita a substituição do veículo.''

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