Uma emissora de rádio onde todo mundo tem o poder de soltar a voz, defender o que pensa e dizer o que quer. Uma rádio onde todos os interesses da comunidade cabem dentro de uma programação organizada e previamente discutida. Os idealizadores do Projeto Lelé Dacuca, do Rio de Janeiro, garantem que é possível montar uma Rádio Comunitária com este perfil.
Eles apresentaram a experiência da Rádio Comunitária montada por eles no Rio de Janeiro, durante o 4º Encontro Nacional das Lideranças Comunitárias dos Projetos Uni. Os projetos Uni são desenvolvidos pelo Programa Universidade - Uma Nova Iniciativa na Formação dos Profissionais de Saúde. O evento está sendo ralizado no Hotel do Lago, em Londrina, desde segunda-feira.
O projeto Lelé Dacuca é resultado de uma parceria entre o Instituto de Estudos e Projetos em Comunicação e Cultura (Indecs) e o Programa do Centro Comunitário do Centro Psiquiátrico Pedro II. Sua proposta é a democratização do domínio de toda informação como instrumento para as comunidades alcançarem a qualidade de vida. A rádio comunitária é apenas um dos trabalhos implantados pelo projeto, que inclui ainda a abordagem das questões de saúde e sociais através de atividades lúdicas como teatro, mímica, etc.
Para o médico e psicólogo Annibal Coelho de Amorim, idealizador e coordenador do Lelé Dacuca, o microfone tem um efeito ‘‘mágico’’ sobre as pessoas, ajudando-as a resgatar a auto-estima e a se sentir importantes. Coordenador do programa do Centro Psiquiátrico Pedro II, onde nasceu o projeto Lelé Dacuca, o médico explica que o efeito individual é multiplicado em toda a comunidade com a rádio comunitária. ‘‘A comunidade se sente importante porque consegue expor suas ansiedades e repercutir os seus problemas propondo soluções’’, diz.
O efeito de ‘‘desmistificar’’ o poder da mídia, acrescenta o jornalista Gustavo Gindre, um dos idealizadores do projeto, faz da rádio comunitária um instrumento importante para as lideranças comunitárias. Ele afirma que a legislação brasileira coloca obstáculos para que as concessões de emissoras de rádio e televisão continuem sendo restritas a um pequeno grupo. ‘‘Nossa legislação dificulta, mas é menos rígida que em outros países. É difícil criar uma rede de rádios comunitárias, mas não impossível’’, diz.
Gindre diz que existem cerca de dez mil emissoras de rádio funcionando sem concessão no Brasil, entre elas, mil são comunitárias. A jornalista fundadora da Indecs, Tais Ladeira, garante que as rádios comunitárias são viáveis economicamente e têm audiência garantida. ‘‘Movimentam o comércio local criando mais empregos e incentivam as atividades culturais na comunidade porque valorizam as notícias que são importantes para a região onde atuam’’, exemplifica.Josoé de CarvalhoAtor apresentou experiência da rádio comunitária em encontroCélia Baroni

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