O maior sonho do mexicano Fernando Rodriguez é encontrar um brasileiro que se interesse em ser seu sócio na realização de touradas no Brasil. Ele já expôs seus planos a um empresário de São Paulo, um fazendeiro do Paraná e hoje deverá conversar com Beto Carrero, dono de parque temático homônimo na praia de Penha, em Santa Catarina. Há dois meses em Curitiba, no entanto, a única coisa que ele conseguiu até agora foi a inimizade dos defensores do meio ambiente.
Rodriguez garante que não pretende adotar a tourada espanhola, na qual o touro é morto no final, mas sim o modelo português. Neste, o toureiro só ‘‘dribla’’ o animal, com uma capa. ‘‘Seria um espetáculo bonito, onde o touro sairia de um cercado, enfrentaria o toureiro e depois voltaria para seu lugar, sem ser machucado’’, diz.
Sua explicação, no entanto, não convence os ambientalistas. Eles têm em mãos dois instrumentos: a lei 9.695/98, que regulamenta os crimes ambientais e prevê detenção de três meses a um ano e multa em casos de maus tratos; e a Declaração Internacional dos Direitos dos Animais, da qual o Brasil é signatário, e que proíbe o uso de animais para fins de diversão. ‘‘Com ou sem sacrifício do animal, realizar as touradas no Brasil seria apenas um espetáculo desnecessário’’, diz o biólogo Tiaraju de Mesquita Fialho, da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS).
Lídia Lucaski, da Associação do Meio Ambiente de Araucária (Amar), que se diz contra o uso de animais até mesmo em publicidade, é ainda mais enfática. ‘‘Aqui ele vai encontrar encrenca. O brasileiro recebe os estrangeiros de braços abertos, mas não vamos aceitar banditismo e, se preciso, vamos tentar até expulsá-lo do território nacional’’, adverte.
Para Fialho, mesmo quando há uma identidade cultural, como no caso das touradas na Espanha e México ou a farra do boi entre os açoreanos em Florianópolis (SC), essas atividades são condenáveis. ‘‘A humanidade tem que dar um passo à frente e evoluir. Não dá mais para aceitar que as pessoas se divirtam às custas do sofrimento dos animais’’, diz Lídia.
Há três anos a Amar obteve liminar na Justiça contra a realização de rodeios em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. Para conseguir a proibição, ela provou que os animais eram maltratados de diversas formas, principalmente pelo uso de um equipamento chamado séden ou burriqueira – uma corda amarrada em suas genitálias.
Além dos rodeios, os ambientalistas também mantêm os olhos vigilantes para outros tipos de abusos contra os animais. É o caso das brigas de galo, de canários e, mais recentemente, os confrontos entre cães.‘‘O que mais recebemos são denúncias sobre rinhas de galo’’, diz o investigador José Cesar Bittencourt, da Delegacia de Proteção do Meio Ambiente de Curitiba. No ano passado, a delegacia fechou uma rinha com cerca de 20 galos de briga em Ponta Grossa. Só em caso de reincidência é que os envolvidos responderão a inquérito policial.

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