Mexicano tenta trazer tourada ao Brasil
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2001
Maigue Gueths De Curitiba 
O maior sonho do mexicano Fernando Rodriguez é encontrar um brasileiro que se interesse em ser seu sócio na realização de touradas no Brasil. Ele já expôs seus planos a um empresário de São Paulo, um fazendeiro do Paraná e hoje deverá conversar com Beto Carrero, dono de parque temático homônimo na praia de Penha, em Santa Catarina. Há dois meses em Curitiba, no entanto, a única coisa que ele conseguiu até agora foi a inimizade dos defensores do meio ambiente.
Rodriguez garante que não pretende adotar a tourada espanhola, na qual o touro é morto no final, mas sim o modelo português. Neste, o toureiro só dribla o animal, com uma capa. Seria um espetáculo bonito, onde o touro sairia de um cercado, enfrentaria o toureiro e depois voltaria para seu lugar, sem ser machucado, diz.
Sua explicação, no entanto, não convence os ambientalistas. Eles têm em mãos dois instrumentos: a lei 9.695/98, que regulamenta os crimes ambientais e prevê detenção de três meses a um ano e multa em casos de maus tratos; e a Declaração Internacional dos Direitos dos Animais, da qual o Brasil é signatário, e que proíbe o uso de animais para fins de diversão. Com ou sem sacrifício do animal, realizar as touradas no Brasil seria apenas um espetáculo desnecessário, diz o biólogo Tiaraju de Mesquita Fialho, da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS).
Lídia Lucaski, da Associação do Meio Ambiente de Araucária (Amar), que se diz contra o uso de animais até mesmo em publicidade, é ainda mais enfática. Aqui ele vai encontrar encrenca. O brasileiro recebe os estrangeiros de braços abertos, mas não vamos aceitar banditismo e, se preciso, vamos tentar até expulsá-lo do território nacional, adverte.
Para Fialho, mesmo quando há uma identidade cultural, como no caso das touradas na Espanha e México ou a farra do boi entre os açoreanos em Florianópolis (SC), essas atividades são condenáveis. A humanidade tem que dar um passo à frente e evoluir. Não dá mais para aceitar que as pessoas se divirtam às custas do sofrimento dos animais, diz Lídia.
Há três anos a Amar obteve liminar na Justiça contra a realização de rodeios em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. Para conseguir a proibição, ela provou que os animais eram maltratados de diversas formas, principalmente pelo uso de um equipamento chamado séden ou burriqueira uma corda amarrada em suas genitálias.
Além dos rodeios, os ambientalistas também mantêm os olhos vigilantes para outros tipos de abusos contra os animais. É o caso das brigas de galo, de canários e, mais recentemente, os confrontos entre cães.O que mais recebemos são denúncias sobre rinhas de galo, diz o investigador José Cesar Bittencourt, da Delegacia de Proteção do Meio Ambiente de Curitiba. No ano passado, a delegacia fechou uma rinha com cerca de 20 galos de briga em Ponta Grossa. Só em caso de reincidência é que os envolvidos responderão a inquérito policial.


