São Paulo Imagine algo bem rotineiro, que se faz todo dia. Algo como comprar pão, ler o jornal ou, em tempos modernos, checar e-mails. Para pelo menos 300 mil brasileiros, descrever sua rotina num diário na internet, os blogs, já virou hábito. ''O blog é uma extensão dos meus pensamentos, só que pública'', conta o universitário Guilherme Bracco, de 27 anos.
Concebidos inicialmente para serem uma espécie de ''querido diário'' em páginas virtuais, os blogs já extrapolaram tanto a sua função inicial quanto o público-alvo esperado, os adolescentes. Bracco, que mora em São Paulo e é estudante de regência e canto, batizou seu blog de Ah, Bravo Fígaro! (gate.cantorum.com/figaro/). Música é um dos temas, mas ele não se limita a escrever sobre isso.
Para Bracco, escrever ''posts'' os textos publicados no blog já faz parte da vida. ''Você cria uma certa rotina, como se tivesse de falar sobre algum assunto. Começa a pensar: 'Isto é legal de escrever''', conta. O Ah, Bravo Fígaro! foi criado em dezembro de 2000 e é visitado cerca de 300 vezes por dia.
A jornalista Fernanda Guimarães Rosa, de 41 anos, anda sempre com bloquinho e câmera fotográfica. Suas impressões e fotografias da vida em Davis, na Califórnia, onde estuda e mora desde 1997, não vão parar nas páginas de jornais, mas em seu blog, The Chatterbox (www.fezocasblurbs.com). ''Meu material é o meu cotidiano. O que vejo, leio, vivo, escuto'', conta.
''Adquiri o hábito de escrever posts o tempo todo na minha cabeça'', diz Fernanda. A jornalista iniciou o diário em outubro de 2000, porque havia cansado das salas de bate-papo na internet. ''Elas foram meu contato com o Brasil e um canal de expressão muito úteis por muitos anos. O blog foi a alternativa para continuar a escrever minhas histórias.''
Outra ''blogueira'' inveterada é a gaúcha Cláudia Letti, de 39 anos, que mora no Rio e escreve o Afrodite sem Olimpo (www.letti.com.br/afrodite). Como é gerente de conteúdo de páginas na internet, vive na frente do micro. ''Às vezes acontece alguma coisa comigo na rua, o computador já está ligado, vou lá e escrevo.''
Para Cláudia, o blog foi uma consequência da sua vida de ''interneteira'': ''Conheci meu marido no IRC (antigo canal de chat) e tive página pessoal. Aí quando veio o blog, aderi.'' Ela diz que já fez várias amizades por meio dos blogs. ''Mas foi uma iniciativa nossa, de sair de trás da tela.''
Escrever contos e poemas já era rotina para a advogada Patrícia Antoniete Ferreira, de 30 anos, de Porto Alegre. Com o surgimento dos blogs, ela passou a publicar seus escritos diariamente no Não Discuto (www.naodiscuto.blogger.com.br).
''Escrevo pelo menos uma vez por dia, todos os dias. Eu achei que poderia ficar ansiosa, não sair nada, não saber o que escrever. Mas isso não acontece. É uma hora de pensar e produzir'', diz a advogada, que também é co-editora do Copy & Paste, blog que seleciona os melhores trechos dos diários brasileiros na rede. ''Antes eu escrevia, quase sempre, antes de dormir. Não um diário, mas tem conto, poesia, textos curtos. Hoje faço isso no blog.''

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