Meu primeiro dinheiro
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Não existe uma regra para iniciar a educação financeira dos filhos, mas especialistas defendem que o primeiro contato com o dinheiro deve ser na infância, para que eles cresçam sabendo valorizá-lo e, o que é mais importante, a gastar com consciência, sem excessos.
Os grandes responsáveis nesse processo são os pais, que devem zelar pelo diálogo, falando abertamente sobre as despesas da família, os planejamentos e economias. ''Você vai repassando as informações aos filhos para que eles cresçam com o entendimento das necessidades e prioridades'', diz o professor de Economia da Universidade Estadual de Londrina, Antônio Eduardo Nogueira. Ele defende que educar os filhos ainda pequenos pode ser uma garantia de que eles terão um melhor controle das próprias finanças na adolescência.
O pediatra do Hospital São Luiz em São Paulo, Marcelo Reibscheid, afirma que a partir dos 6 anos a criança já desenvolveu a capacidade de entender melhor a ideia do dinheiro, principalmente com o grande número de propagandas comerciais e ofertas de consumo. Ele explica que nessa idade os pais podem introduzir o assunto contato fábulas como ''A cigarra e a formiga'', explicando primeiramente a importância do trabalho para as conquistas.
Além disso, há de considerar o exemplo dos pais. A psicóloga londrinense Mirian Elizabeth Perandrea, especialista em Psicanálise, ressalta que é importante analisar a filosofia familiar em relação ao dinheiro. ''É todo o modelo existente que vai sendo aos poucos transmitida para a criança. O saudável é usar o dinheiro sempre como um investimento'', afirma.
Cofrinho
Uma sugestão dada por especialistas é o antigo hábito de poupar moedas em cofrinhos. Para essa prática, que pode ser iniciada entre os 4 e 6 anos, a psicóloga orienta os pais a estimularem a criança a também dividir o dinheiro poupado. ''Nós temos que ensiná-la a fazer bom uso do dinheiro, educando a poupar e dividir. É importante também que ele seja gasto com a criança, em família'', orienta Mirian, ao ressaltar o cuidado sobre o culto ao consumismo. ''Nós temos que guardar dinheiro para investir no que é importante e que ajude no desenvolvimento da criança'', completa.
A partir do momento que a criança passa a assimilar melhor a questão do dinheiro, o economista Antônio Eduardo Nogueira afirma que os pais devem partir para o próximo passo: a mesada, que pode ser semanal. ''Essa situação também é positiva para os pais porque sai mais barato dar mesada do que ter os filhos pedindo dinheiro a toda hora. Dessa forma, você acaba gastando mais e a criança não valoriza o recurso'' explica.
Para estipular a quantia não há regra. De acordo com Nogueira, o valor vai depender das condições financeiras de cada família. ''Deve ser uma quantia que não vá comprometer as finanças dos pais e que possa ser aumentada de forma gradativa, pois também deve ser atrativo para a criança ou adolescente. Você pode começar com R$ 5'', afirma.
Limite
Na casa dos Monteiro, a iniciativa de ganhar mesada partiu do filho João Manuel, de 13 anos. ''Eu estava cansado de ter que pedir dinheiro a toda hora. Como um amigo meu já recebia, eu achei que poderia ser uma boa ideia. Hoje, tenho meu dinheiro e gasto com coisas que gosto e que preciso'', diz ele, que usa o dinheiro para comprar acessórios de skate e bancar as saídas ao shopping com os amigos.
Hoje, João Manuel recebe R$ 120, mas esse valor foi aumentando gradativamente pelos pais. ''Eu comecei recebendo R$ 50 quando tinha 11 anos'', conta. A mãe Lucilene revela que no princípio teve receio por achar que poderia ser muito cedo, mas agora se diz satisfeita com a decisão. ''Além dele estar aprendendo a ter limite e autonomia, ele está sendo responsável com o dinheiro'', conta.
Para o economista, essa é uma grande vantagem da mesada. Além de dar tranquilidade para os filhos, eles passam a estipular metas e guardar o dinheiro para comprar aquilo que deseja, valorizando o recurso. ''Com o avançar da idade pode ser aberta uma conta no banco e o adolescente passará então, a movimentar a conta e controlar as próprias finanças'', diz.


