'Meu diploma é igual a qualquer outro'
Depois de formados, o desejo é voltar para a comunidade e colaborar com os outros integrantes da aldeia. Silvana Matias, 37 anos, é a enfermeira supervisora do posto de saúde da Terra Indígena Laranjinha (Norte Pioneiro). Contratada pela Associação Rondon Brasil, ela coordena uma equipe de oito pessoas.
Formada pela UEM, ela morou com o marido e os filhos em uma das casas do Centro Cultural da Associação Indigenísta de Maringá. Silvana não reprovou nenhum ano, mas afirma que precisou reaprender a estudar. ''Como sou mais comunicativa, logo fui fazendo amizades. Perguntava tudo que não sabia. Foi isso que me ajudou a me formar''.
Silvana se candidatou ao cargo no posto da aldeia e teve que passar por uma entrevista de emprego como qualquer profissional. ''O meu diploma é igual a qualquer outro. Não é porque sou índia que ia ter privilégio.''
Sorriso em dia
A dentista Elis Regina Jacintho também é moradora da aldeia Laranjinha e cursou Odontologia na UEL. ''Eu quis fazer Odontologia e depois voltar para a aldeia para ajudar. Tenho bom relacionamento com a comunidade e também com as lideranças, isso ajudou bastante'', relata. ''Minha intenção é buscar um outro trabalho na cidade para completar a carga horária, já que aqui cumpro apenas 10 hs, assim como na outra aldeia'', explica.
Rosilda da Silva Camargo e Osias Ramos Arnaud Sampaio são formados em Pedagogia pela UEM e Jornalismo pela UEL respectivamente. Rosilda é a pedagoga da escola da Reserva Laranjinha e Osias, que mora na cidade próxima, Santa Amélia, ajuda a comunidade em pesquisas e atualmente faz o projeto de um jornal para o Conselho Indígena do Paraná. Ele ressalta que a evasão escolar preocupa os indígenas, que temem a revogação da lei. ''Não imaginamos como é a universidade, mas não temos que ter regalias. Eu cheguei sem saber o que era internet, celular, na universidade aprendi isso.''
Amarildo Aparecido Gabriel, 32 anos, graduou-se em Medicina Veterinária pela UEL. Morador da Aldeia Pinhalzinho, ele presta trabalho para a prefeitura em Guapirama. ''Gostaria muito de ter voltado para trabalhar na minha aldeia, mas por enquanto não foi possível por não ter vaga nesta área. Sou chefe do departamento de Agricultura e Meio Ambiente; durante a semana trabalho com medicina preventina nas propriedades e aos sábados e domingos atendo pequenos animais nas casas dos proprietários. Ser índio nunca fez diferença no tratamento que recebo das pessoas,'' pontua. (E.G.)





