Quando começa a vida humana? A pergunta até parece simples, mas a resposta - ou respostas -, gera uma polêmica sem fim. Nem mesmo os cientistas chegam a um consenso sobre o assunto.
Alguns, a exemplo da Igreja Católica, defendem que a vida começa no exato momento em que o espermatozóide (gameta masculino) se encontra com o óvulo (gameta feminino). É o momento chamado de fecundação. ''O método contraceptivo de emergência é abortivo. Seguimos a teoria de que a vida começa na fecundação'', sentencia o monsenhor Bernard Gafá, pároco da Catedral de Londrina.
Outros são enfáticos ao dizer que somente no momento em que o zigoto - formado pelo encontro do óvulo com o espermatozóide - se fixa no útero materno é que surge um novo ser humano. Há ainda quem afirme que só há vida quando se forma o sistema nervoso central, na quinta semana de gestação.
A pílula do dia seguinte entra nessa polêmica porque, em caso de uso tardio, age sobre o zigoto, ou seja, depois de a fecundação já concretizada. A alta concentração de hormônio da pílula impede que o zigoto consiga a fixação no útero (nidação).
Para o médico José Eduardo Siqueira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Bioética - Seção Paraná, ''a vida humana é humana desde a fecundação''. Porém, ele diz que do ponto de vista bioético não é possível dizer se a pílula do dia seguinte é ou não abortiva.
''O conceito rigoroso de aborto é a expulsão de um processo que está dentro do útero, ou seja, não basta o ovo estar fertilizado, é preciso estar implantado. Mas isso é muito discutível, pois há autores que consideram que a vida começa na fecundação'', explica.
A opinião do corregedor do Conselho Federal de Medicina (CFM) é contrária à da Igreja Católica. ''Nós somos favoráveis (à pílula de emergência). Se a considerássemos abortiva, não poderíamos aceitar o uso, pois a lei brasileira não permite aborto. Porém, não temos prova alguma de que a pílula do dia seguinte seja abortiva. Dez por cento das mulheres que tomam acabam tendo filhos, então o remédio não causou aborto nesses casos. Concluir que as outras 90% abortaram não é possível. Aceitamos o uso, mas em casos de emergência.'' (W.S.)

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