Método facilita o dia a dia dos autistas
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segunda-feira, 01 de abril de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Aos 2 anos e 8 meses, Sophia Ayumi Honda Dantas já segue uma rotina no seu dia a dia. Durante a manhã ela vai para a escola e lá tem um painel com as atividades que serão desenvolvidas até o momento de ir para casa. Ao contrário do que possa parecer, a rotina é importante para a menina, diagnosticada com autismo.
Thaís Fernanda Honda Dantas, mãe da garota, explica que ainda bebê a filha começou a apresentar sinais que chamaram sua atenção. "Ela não olhava nos nossos olhos, gostava de ficar girando os objetos e não falava", conta.
Matriculada desde 1 ano e 7 meses na Escola de Educação Básica Manaim Centro Ocupacional de Londrina (COL), uma instituição mantida pelo município, Sophia tem sua rotina organizada pelo método Teacch, desenvolvido no final da década de 1960, na divisão de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.
O dia 2 de abril é considerado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que haja 70 milhões de pessoas com autismo. No Brasil, a estimativa é de 2 milhões de autistas.
"O método é um facilitador do trabalho com o autista, cujas principais dificuldades são imaginação, comunicação e sociabilização. O Teacch dá possibilidades para o professor organizar a sala de aula, organizar a agenda individual do aluno, de forma visual", explica a diretora da escola, Angela Denise Henrique Cavalheiro.
No método, algumas figuras representam as atividades que a criança deverá desenvolver durante o dia. Assim, um prato de comida representa o horário de se alimentar, um vaso sanitário representa o banheiro e uma mochila indica que é hora de ir para casa. A escola também é toda sinalizada, com figuras iguais aos cartões nos respectivos locais.
"Quando a criança tem que fazer alguma atividade, nós entregamos uma figura que sinaliza isso, que aqui é um triângulo amarelo. Assim o aluno sabe que deve ir até o seu painel e ver o que deve ser feito, de acordo com a figura que estiver na sequência. Ele retira essa figura e leva até o local onde a atividade será desenvolvida e cola no painel desse lugar", exemplifica Patrícia Cyrillo, professora de Sophia.
Quando começou a trabalhar com o método, há sete anos, ela afirma ter tido alguma resistência, achando que seria algo muito mecânico. "Mas senti a diferença no primeiro dia. O método organizou a rotina da sala e com o tempo os alunos que tinham condições motoras iam sozinhos até as figuras. Hoje mesmo, quando sentiu fome, a Sophia pegou sozinha o cartão da comida", conta ela.
Thaís afirma que a filha está se desenvolvendo muito bem, aprendendo a interagir com outras pessoas, já fala algumas palavras e olha nos olhos das pessoas. "Em casa nós não usamos o método, mas mantemos uma rotina nas atividades dela. Também a incentivamos a trazer as coisas até nós. Se ela quer uma laranja, ela já pega e traz", afirma.
Patrícia Rodrigues de Souza, mãe de Matheus Andrei de Souza, de 3 anos e 11 meses, destaca que o filho começou a frequentar a escola no segundo semestre do ano passado e já apresentou evoluções nas atividades do dia a dia. "Ele está mais independente, aprendeu a ir ao banheiro e a tomar água no copo, não mais na mamadeira."
As crianças que já são alfabetizadas podem ao invés de figuras, usar as palavras. "Inserimos o método para todas as crianças, mas algumas precisam de ajuda física para fazer a troca. Temos salas também onde já não é necessário usar o método, porque os alunos já aprenderam a fazer as atividades apenas com a orientação do professor. Dependendo do grau do autismo não é possível usar o método. Alguns vão aprender a ter autonomia, outras vão precisar da agenda até mesmo depois de adultos", explica a psicóloga do COL, Adriana Von Stein.
Segundo Ângela, a escola está se estruturando para a partir do ano que vem usar também o Método Pecs. Nele, as pessoas com problemas de comunicação podem se expressar através da troca de figuras, que foi o que Sophia fez quando ficou com fome.


