Método é criticado pela Igreja Católica
Curitiba - Laquedura e vasectomia sempre foram consideradas métodos polêmicos, pois significam, na maioria das vezes, impossibilidade de reversão do processo. A igreja, por exemplo, não recomenda nenhum método contraceptivo que não seja natural. Além de artificial, a vasectomia é invasiva, explica o coordenador da Pastoral Familiar, José Araújo.
Outra crítica ao programa municipal refere-se à falta de acompanhamento psicológico dos pacientes. Acho louvável a prefeitura dar à população de baixa renda acesso à vasectomia. Pessoas que não teriam como pagar por esse serviço. Trata-se de um processo irreversível que necessita de muito esclarecimento da população. E isso não significa só conversar um pouco, mas manter campanhas sistemáticas de conscientização, diz a professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Lídia Weber, doutora em desenvolvimento infantil, análise de comportamento entre outras áreas.
O coordenador do programa de vasectomia, Javier Edvin Jhimenez Boza, garante que os profissionais fazem de tudo para dissuadir os homens que optam pela vasectomia, quando há possibilidade de usarem outros métodos reversíveis, como o uso de pílula, camisinha ou DIU. Não foi o que aconteceu com João Walter Jungler, vendedor de seguros autônomo, 42 anos, casado há 14 anos com Anireide, 39, com quem tem um filho de sete anos, além de outros três de um primeiro casamento. Eu vi a propaganda na televisão, conversei com minha mulher, me cadastrei no posto de saúde e dois meses depois me chamaram para marcar a cirurgia, conta.
Tanto João Walter, quanto Luiz Carlos da Cruz, se dizem satisfeitos com o resultado. Mas em nenhum caso a vasectomia foi uma opção por causa de problemas de saúde. Pesquisa feita pela prefeitura com os pacientes que passaram pela cirurgia revelou que 100% se sentiram bem orientados para decidir pela cirurgia, 99% estão satisfeitos com o resultado e 91% não tiveram complicações na cirurgia.
Segundo o urologista Roberto Pilatti, as unidades estão orientadas a prestar todos os esclarecimentos antes de fazer a cirurgia. Há também alguns critérios para entrar no programa: ter mais de 25 anos e no mínimo dois filhos. O programa também segue as normas do Ministério da Saúde que determina prazo mínimo de 60 dias entre a primeira consulta até que o paciente se decida que realmente deseja fazer a cirurgia. (M.G.)





