Estudantes com dificuldades de aprendizagem têm uma nova alternativa na Escola Fundamental: o Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI). Implantado pela escola há quatro meses, o PEI tem como objetivo principal ensinar o aluno a ‘‘pensar e aprender’’, através do conhecimento das próprias operações mentais envolvidas no processo cognitivo (de aprendizagem). ‘‘Os resultados são animadores porque além de ajudar nas deficiências de aprendizagem, o método ensina o estudante a organizar suas tarefas e atividades’’, evidencia a coordenadora do PEI, Taciana Saldanha.
Criado pelo psicólogo romeno Reuven Feuerstein, idealizador da Teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva - base do programa -, já é adotado por escolas em vários países da Europa e Ásia. Taciana Saldanha explica que o método permite a cada aluno descobrir um processo próprio e fácil para solucionar os problemas. Nas aulas, ministradas em regime extra-curricular de duas a três vezes por semana, os alunos recebem um mesmo problema para resolver.
O grupo, formado por no máximo 12 alunos, discute as alternativas de solução em conjunto. Depois, cada um resolve à sua maneira e, no final, há uma avaliação conjunta de como cada um chegou à solução. ‘‘O PEI possibilita a integração e troca de experiências entre os alunos’’, esclarece. As aulas são monitoradas por um professor especialmente treinado para acompanhar cada estudante individualmente e detectar em qual fase da cognição o aluno apresenta dificuldade. Definida a dificuldade, o professor dá os instrumentos para que o estudante supere o obstáculo.
Os problemas apresentados durante as aulas do PEI não são relativos às matérias, mas os métodos de solução estão relacionados ao sistema de aprendizagem exigido no dia-a-dia escolar. O resultado, diz a coordenadora do PEI, é, a médio e longo prazos, o aumento do potencial de aprendizagem e a correção das funções cognitivas deficientes.
Para Taciana Saldanha, o número de alunos com dificuldades na aprendizagem tende a aumentar. ‘‘O ritmo de vida destes jovens leva a uma falta de tempo para aprofundar o conhecimento. Assim eles aprendem desde cedo a conhecer um pouco de tudo, mas nada completamente. Quando entram na escola repetem o processo tangenciando pelas coisas’’, analisa. A situação se agrava porque a sequência de notas baixas leva o aluno a não acreditar no seu potencial e a achar que tudo é muito difícil.
Generalizando o efeito do PEI, simplifica a coordenadora, ele faz com que o aluno volte a sentir prazer na profissão de ser estudante. Apesar de muitos pais já terem notado diferenças sensíveis nos filhos que participam do PEI, como a definição de um método próprio de estudo, a coordenadora frisa que o programa tem uma duração de um ano e meio. O PEI é aberto também à comunidade em geral.

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