O delegado João Alberto Fiorini, do Departamento de Polícia Científica, elaborou um método que pode mudar os conceitos de investigação de paternidade. O procedimento atual envolve a análise do código genético (DNA) dos pais. O novo teste requer apenas o exame de sangue da criança. Para isso, Fiorini sugere que no prontuário da maternidade, onde ficam cadastradas as informações do bebê, seja incluído um cartão especial que conserve as amostras sanguíneas. Em caso de localização de criança desaparecida, morte ou identificação do pai, as informações podem ser confrontadas com um simples exame de sangue.
‘‘Vai ser um dos testes mais avançados do País’’, anuncia Fiorini. O cartão especial citado no projeto é importado dos Estados Unidos. Ele já é usado no Brasil, mas apenas em casos de investigação de paternidade que reúnam material sanguíneo do pai, mãe e da criança. O delegado acredita que a tecnologia do cartão pode ser usada como um arquivo de informações. O tempo de armazenagem chega a 10 anos. De acordo com Fiorini, seus estudos também têm condições de coibir a falsificação de certidões de nascimento de bebês. ‘‘A certidão de hoje não comprova nada e pode até ser falsificada para tráfico de crianças’’, diz.
Fiorini menciona que o cartão pode facilitar o controle da Justiça. Ele observa que ao autorizar a viagem de uma criança para o exterior, por exemplo, o juiz da Infância e da Juventude deveria requisitar a análise de peritos para comprovar ou não se o sangue informado na certidão é o mesmo que está no prontuário da maternidade. O delegado é defensor de mudanças na certidão, que segundo ele, deveriam conter a impressão digital e tipo sanguíneo. ‘‘Desse jeito não tem como levar crianças para fora do País.’’ O uso do cartão só é falho em casos de gêmeos univitelíneos. O DNA deles é 100% igual.
O responsável técnico pelo departamento de Biologia Molecular do Laboratório Frischmann Aisengart, Carlos Alberto Martinez Alonso, acha que o projeto do delegado pode dar certo. ‘‘Se é para garantir a individualidade biológica da criança, é viável’’, comenta. Alonso considera a proposta ‘‘ambiciosa’’ pois o acompanhamento teria que envolver uma estrutura capaz de monitorar os nascimentos de crianças que ocorrem diariamente no Estado.

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