Meteorologistas revêem suas previsões
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sábado, 27 de setembro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Kraw PenasSem problemasAlexandre Guetter, pesquisador do Sistema Meteorológico do Paraná: É bom ficar alerta, mas até agora tudo indica que as coisas serão tranquilasA devastação prometida pelo fenômeno El Ni¤o, que tem provocado pânico e previsões de enchentes catastróficas, poderá não ter a dimensão esperada. A chuva que iria arrasar a população ribeirinha, segundo algumas previsões, poderá apenas atingir levemente algumas poucas regiões do País. Em outras, como é o caso do Paraná, o fenômeno poderá até mesmo passar despercebido. Segundo técnicos consultados pela Folha, apesar do atual aquecimento das águas do Oceano Pacífico acima da média, as enchentes de 1983 não deverão se repetir.
Ao contrário da maioria das previsões que apostam na formação de enchentes já no mês de dezembro, um estudo elaborado em conjunto pelo Sistema Meteorólogico do Paraná (Simepar) e pela UFPR prevê que o período crítico do fenômeno - caso venha a ocorrer - poderá ser enfrentado apenas a partir do mês de maio do ano que vem. Como a capacidade de absorção e de evaporação das águas é menor durante o inverno, principalmente pelas baixas temperaturas e pela curta duração do dia, é provável que o aumento das chuvas provoque apenas cheias temporárias.
No Paraná, as áreas mais atingidas seriam a Costa Oeste, com um aumento provável de 60% no volume normal de chuvas, e as regiões Sul e Sudeste - incluindo Curitiba - com 70% a mais de chuvas.
Apesar destes percentuais, o pesquisador do Simepar Alexandre Guetter afirma que seria necessária uma quantidade de chuvas muito superior para que ocorressem estragos semelhantes a das cheias da década de 80. Naquela época, o volume de chuvas foi 700% maior que os índices normais. É bom ficar alerta, mas até agora tudo indica que as coisas serão tranquilas, afirma.
O risco de enchentes no inverno somente pode ocorrer, segundo Guetter, se o El Ni¤o durar mais tempo do que o previsto. Como os últimos levantamentos meteorológicos mostram que a evolução o fenômeno deixou de ganhar força nos últimos três meses, é possível até mesmo que o Brasil passe incólume pela ocorrência do El Ni¤o.
Pelo modelo estatístico utilizado na elaboração do estudo, que contabilizou a ocorrência dos 25 fenômenos El Ni¤o que atingiram o Paraná desde 1911, há 90% de chances de que ocorram chuvas acima da média até o início do verão. Mas o aumento do volume será pequeno e facilmente absorvido pelo solo, acredita a física e doutora em Meteorologia da UFPR, Alice Grimm. Durante a primavera e o verão - períodos considerados de baixo potencial para a formação de enchentes - as condições climáticas permitem a eliminação dos excessos de água. Somente depois de ultrapassados estes percentuais é que os rios começam a encher e podem estravasar.
Mesmo assim, a pesquisadora alerta para a possibilidade de ocorrência de enchentes urbanas, típicas no verão, para os próximos meses. Segundo a meteorologista, mesmo nos anos em que não há El Ni¤o, as cidades - onde a pavimentação das ruas e a ocupação irregular impede o escoamento das chuvas - costumam sofrer com as tempestades de verão. Mas se a força do chuva obedecer às estatísticas, passaremos sem transtornos por mais este El Ni¤o, diz.


