James Alberti
O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) prevê chuva fina até o final de semana, com temperaturas entre os 13 e 18 graus. Somente em algumas áreas do Estado devem ocorrer pancadas de chuvas, segundo o meteorologista do Simepar, Vilson Souza Ferreira. Uma frente fria vinda do Sul deve provocar chuvas mais fortes no sábado e domingo. No final de semana a temperatura deve aumentar um pouco, conforme Ferreira.
Apesar de ser o mais rigoroso dos últimos cinco anos, este inverno não deve ter dias mais frios que os registrados historicamente. O meteorologista acredita que o inverno deste ano terá temperatura semelhantes às médias históricas, que são de 12 a 13 graus em Curitiba e entre 15 e 17 graus em Londrina.
A temperatura mínima registrada este ano foi a de Palmas, no sudoeste do Estado, em 11 de junho. Os termômetros da cidade, que é considerada a mais fria do Paraná, marcaram 3,2 graus negativos. Na história do Estado, o dia mais frio teve temperatura de 5,7 graus negativos e também ocorreu em Palmas, no 18 de setembro de 1975. Em Curitiba, a menor temperatura já registrada foi de 4 graus negativos, no dia 1º de junho de 1978. Neste ano, a mínima na capital foi de 1,7 grau.
O frio dos últimos dias aumentou a procura por albergues da Fundação de Assistência Social (FAS), da Prefeitura de Curitiba, em 25%. Conforme a assessoria da prefeitura, 33 pessoas pernoitaram no albergue na noite de anteontem, quando o Simepar registrou temperatura de 8,6 graus. A gerente da FAS, Cynthia Koerich, afirma que, apesar do frio ter aumentado, a procura pelos albergues tem diminuído neste ano, em relação a anos anteriores. Para ela, isso ocorre porque os moradores de rua estariam ficando mais tempo nas entidades de reabilitação.
Nas ruas - O torneiro mecânico Ronaldo Alves, 35 anos, porém, dorme na rua, sob marquises e se protege do frio com um cobertor. Para aguentar a temperatura, ele apela para a cachaça e para o cigarro. Mineiro, Alves chegou em Curitiba há 30 dias para procurar emprego. Dormiu uma semana na FAS e depois, afirma, foi obrigado a ir para a rua. Na companhia do paranaense Márcio Mueller, 21 anos, colega de rua, o torneiro diz jamais ter sentido tamanho frio. ‘‘Nossa senhora. A gente se ferra mesmo. Tem que tomar um pouquinho, do contrário não aguenta’’, afirma. De plantão na Rodoferroviária, Alves quer ir para o Mato Grosso, para fugir, de uma só vez, do frio e da falta de trabalho.
Ao contrário de Alves, o índio Jaguarêteque, 30 anos, veio da Amazônia para fugir dos mosquitos e afirma preferir o frio aos insetos. Vivendo há três dias nas ruas de Curitiba, completamente bêbado, sendo aquecido por uma fogueira e em meio a um grupo de mendigos, Jaguarêteque não souber sequer dizer o nome completo.

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