Dos cerca de 4 mil presos das cadeias públicas do Paraná, entre 40% e 50% já foram condenados pela justiça e aguardam uma vaga no sistema penitenciário. Enquanto as cadeias estão superlotadas, as nove penitenciárias do Estado, com capacidade para 3.984 presos, abrigam atualmente 4.336 detentos (um excedente de 352 presos). O problema é ainda mais grave, segundo a Polícia Civil, nos pequenos distritos e delegacias especializadas dos municípios do interior do Estado. Em Curitiba, o número de presos em cadeias públicas é 117% maior do que a capacidade delas. ‘‘O problema é que a criminalidade corre a 200 por hora e a solução a 50 por hora’’, afirma o secretário estadual da Justiça e Cidadania, José Tavares. Segundo ele, a polícia prende muito mais pessoas por dia do que se criam vagas no sistema penitenciário por mês.
Para tentar diminuir o problema, quatro novas penitenciárias estão sendo construídas no Estado. Em Guarapuava, a penitenciária industrial será inaugurada em julho e terá capacidade para abrigar 240 presos. A penitenciária de Cascavel, com capacidade para 240 presos, será concluída no final deste ano e a de Maringá, com 300 vagas, deverá ser inaugurada no final do ano que vem. Também está em andamento, com 70% das obras executadas, a Penitenciária de Segurança Máxima de Piraquara, com capacidade para outros 550 presos.
Com as quatro novas unidades do sistema penitenciário do Estado serão abertas 1.330 novas vagas. ‘‘Isto pode não resolver o problema da superlotação das cadeias públicas do estado, mas vai diminuir muito’’, diz Tavares. De acordo com ele, nas novas unidades os presos passarão por um processo de recuperação, com o aprendizado de uma nova profissão. ‘‘Estamos tirando o preso de uma situação de absoluta ociosidade, para conduzi-lo a uma capacitação voltada a sua recuperação’’, afirma o secretário.
Além das penitenciárias que serão construídas até o final do ano que vem, Tavares já tem projetos para o início das obras de mais duas unidades penitenciárias, ambas no complexo de Piraquara. Os recursos para as obras viriam da permuta que será feita com uma construtora que utilizará a Prisão Provisória do Ahú. ‘‘Com estas duas penitenciárias, resolveremos definitivamente o problema da superlotação’’, comemora.
De acordo com Tavares, a primeira unidade a ser construída será a Provisória, com capacidade para 500 presos. ‘‘Os presos poderiam aguardar a conclusão da pena na cadeia provisória, sem que seja necessário o uso das cadeias dos distritos e delegacias’’, diz ele. Outro presídio, com capacidade para 800 presos (200 deles do Centro de Triagem), também deverá ser construído. ‘‘Sabemos que é um processo gradativo, mas conseguiremos esvaziar as cadeias públicas durante esta gestão’’, afirma.

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