Levantamento do Sinclapol denuncia que 53, 6% dos 399 municípios do Estado não contam com policiais civis ou delegados de carreira. Estado faz um estudo para saber da extensão do problema
O Sindicato das Classes Policiais Civis (Sinclapol) está denunciando a falta de estrutura e pessoal nas delegacias do interior do Estado. De acordo com um levantamento feito pelo presidente do Sinclapol, Luiz Bordenowski, dos 399 municípios paranaenses, 53,6% não têm qualquer policial ou delegado de carreira. ‘‘Mesmo com os novos policiais civis concursados, a deficiência é a mesma. Temos uma defasagem por causa dos aposentados e os contratados não farão muita diferença, principalmente nas cidades pequenas’’, denunciou ele.
A situação chega a ser preocupante em algumas regiões do Estado. Um levantamento extra-oficial realizado no último mês demonstra que na região Oeste, pertencente a 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, 13 das 28 delegacias e seções não têm investigador, escrivão ou delegado de carreira. Um exemplo é Lindoeste, onde o prédio da delegacia está em estado precário. A cadeia não pode ser usada porque não tem policial, nem indicado pela prefeitura, para cuidar do preso ou fazer plantão. Apenas um delegado ‘calça curta’, ou seja, sem formação de policial civil e indicado politicamente, cuida das ocorrências no local.
De acordo com o delegado Ivo Bertoldo Schmidt, em muitos casos ele precisa recorrer à Polícia Militar – que também é deficiente na região. ‘‘Aqui tudo está caótico, difícil. Lindoeste é rota do tráfico de drogas e do roubo de carros. Precisamos de um policiamento mais intenso’’, declarou ele. Apesar da deficiência, este ano foram apreendidos 700 quilos de maconha no município. ‘‘Não podemos desanimar. Fazemos a nossa parte, mas esperamos que o Estado faça a parte dele também’’, afirmou.
Outros municípios da região, como Matelândia, Ramilândia e Santa Lúcia, só têm um policial civil. O delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, disse que o problema já é de conhecimento do departamento. De acordo com ele, o regulamento da instituição é de 1978 e já previa o quadro para o Estado. ‘‘O problema é que o Paraná cresceu, municípios foram criados e não conseguimos aumentar nossos quadros’’, afirmou ele.
Leonyl Ribeiro admitiu que os novos contratados não darão conta de suprir a demanda. ‘‘Estamos fazendo um estudo detalhado da extensão do problema no Paraná. Mas ainda não sabemos como iremos solucionar o problema. Não se pensa em remanejamento porque não podemos tirar policiais dos municípios que têm poucos para colocar nos que não têm nenhum’’, complementou ele.

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