Metade do comércio de produtos óticos é ilegal
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quarta-feira, 21 de julho de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Metade dos pontos de venda de produtos ópticos em Londrina entre lojas e camelôs está em situação irregular, vendendo produtos piratas ou sem acompanhamento de um técnico óptico. A estimativa é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material Óptico, Fotográfico e Cinematográfico do Paraná, Nicolau Bulgacov Júnior, que promoveu uma reunião ontem com empresários do setor para discutir propostas de combate à pirataria.
Em matéria publicada no dia 9 de julho, a reportagem da Folha já havia mostrado pontos de venda de óculos de grau sem receitas médicas em pelo menos nove bancas do Camelódromo (Área Central de Londrina). ''E apesar de as apreensões em todo o Estado não chegarem a 10% da movimentação financeira do setor, acredito que uma ação mais efetiva da Vigilância Sanitária (responsável pela fiscalização) poderia reduzir a zero o volume de produtos piratas comercializados, que hoje chegam a participar de até 50% do mercado'', afirmou Bulgacov.
A falta de regulamentação de cerca de 100 de quase 200 pontos de venda de produtos ópticos em Londrina, segundo o presidente do sindicato, seria uma das causas para a alta participação da pirataria no mercado. ''Esse mercado é regulamentado por uma lei federal de 1934, que exige que estabelecimentos desse tipo contem com um técnico óptico, além de questões físicas como tamanho do espaço e equipamentos mínimos necessários'', explicou.
''A pirataria interfere de forma muito agressiva no mercado, tirando dos profissionais as condições para se trabalhar com ética. São muitas as normas que temos que seguir e que o mercado pirata não obedece'', disse o empresário cambeense Anselmo Costa Fernandes, que trabalha no ramo há 14 anos. ''A perda comercial é grande, mas os danos à saúde que um óculos sem as especificações necessárias pode causar são muito maiores'', lembrou o empresário de Londrina Clóvis Aires da Silva, no ramo desde 1977.
Entre os problemas que o uso de óculos sem receita médica pode causar estão sintomas como dores de cabeça, piora no quadro clínico dos pacientes oftalmológicos e até a perda da visão, como descreveu o oftalmologista consultado pela Folha, Nobuaqui Hasegawa.
''Já cobramos junto ao Ministério Público de Londrina uma atuação mais efetiva da Vigilância Sanitária neste sentido'', disse o presidente do sindicato. ''E a partir da reunião realizada hoje (ontem), também vamos definir políticas para orientação da população sobre os riscos do uso de óculos não receitados por profissionais'', frisou.
O gerente da Vigilância Sanitária de Londrina, Marcelo Viana de Castro, confirmou a responsabilidade da entidade de fiscalizar a venda ilegal de óculos. ''Temos atuado de forma constante, não realizamos nenhuma ação no Camelódromo porque nunca recebemos uma denúncia formal. Mas não me lembro de nenhuma apreensão de produtos piratas na cidade nesta gestão (do prefeito Nedson Micheleti).''
Na opinião de Castro, campanhas para orientar a população dos riscos do uso de produtos piratas são ainda mais importantes que as ações fiscalizatórias. ''Se a população souber dos perigos e deixar de comprar, o comércio com certeza deve acabar'', acredita.


