Metade das ligações ao Samu é indevida
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sábado, 16 de janeiro de 2016
Reportagem Local 
Brasília - De janeiro a outubro de 2015, a central responsável pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) recebeu quase 12 milhões de ligações, por meio do telefone 192, em todo o País. No entanto, 6,8 milhões, mais da metade das chamadas recebidas, não eram destinadas ao serviço. Por isso, é importante saber em quais situações o cidadão deve acionar este serviço.
O Samu 192 está disponível para a população em momentos de urgência e emergência médica e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. A ligação é gratuita e pode ser realizada por qualquer telefone fixo ou móvel.
O serviço reúne médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e socorristas, que podem prestar socorro em emergências de natureza traumática, clínica, pediátrica, cirúrgica, gineco-obstétrica e de saúde mental para a população em qualquer lugar, seja na residência, local de trabalho ou vias públicas.
Ao ligar, o cidadão é atendido por um profissional treinado na Central de Regulação Médica de Urgência que fará perguntas para iniciar o socorro. Neste momento é importante estar junto à vítima, como explica Maria Inez Gadelha, diretora substituta de Atenção Hospitalar e Urgência do Ministério da Saúde. "Para o atendimento é muito importante que o médico regulador, que trabalha no atendimento do Samu, tenha o mínimo de informação necessária para estabelecer o grau de risco daquela pessoa, de modo que possa definir qual tipo de equipe e veículo será encaminhado para o local, pois existem tipos diferentes de ambulância para atendimento das chamadas."
Esta conversa permite que o médico regulador preste as primeiras recomendações sobre o socorro, ainda pelo telefone, enquanto a pessoa aguarda a chegada da ambulância, reduzindo o número de óbitos, o tempo de internação em hospitais e as sequelas decorrentes da falta de socorro precoce. Portanto, ao ligar para o 192 é importante tentar responder a todas as perguntas solicitadas com calma, mesmo que seja difícil, e não desligar o telefone até a liberação do médico regulador.
A jornalista Lívia Faria, de 30 anos, de Brasília, com auxílio do médico pelo telefone, conseguiu prestar os primeiros socorros e salvar a vida da avó. "Minha avó já tinha alguns problemas de saúde, como Parkinson e demência senil, e começou a expelir um líquido branco espumando pela boca. Ela já estava roxa, sem conseguir respirar, ligamos para a Samu e o médico me deu as primeiras orientações pelo telefone para deitá-la no chão, puxar a língua, soprar o nariz para tirar o líquido das vias áreas e fazer massagem cardíaca enquanto a ambulância chegava. Ele ficou comigo no telefone o tempo todo enquanto eu fazia isso. Foi com ajuda dele que pude socorrer ela até a chegada da ambulância", lembra.
Além das ambulâncias, o Samu também conta com UTIs móveis, motos, lanchas e helicópteros para atendimentos. Também fazem parte da frota veículos de transportes equipados para suporte básico, para casos simples e intervenções rápidas. Mas é essencial que a pessoa só ligue para o Samu se estiver diante de uma situação de emergência. Um trote pode impedir que uma vida seja salva.


