São Jerônimo da Serra - O programa Bolsa-Família beneficia quase a metade da população de São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio), onde 1.352 famílias recebem anualmente R$ 1,146 milhão no total. A soma é altamente significativa para um município cujo orçamento-geral não chega a R$ 8 milhões.
Mas o número de famílias inscritas é maior, 2.312, que correspondem a dois terços da população jeronimense - são 8.822 pessoas com renda per capita inferior a R$ 120. Só 1.352 famílias recebem a bolsa-família porque há um limite por município e, assim mesmo, São Jerônimo já o excedeu em 4%. ''Está em 104%, agora uma família só pode entrar se outra sair'', explica uma das funcionárias do recém-instalado Centro de Referência de Assistência Social (Cras), coordenador do programa no município.
''O povo é tão pobre que não se pode imaginar'', diz o padre Haruo Sassaki, há 30 anos dirigindo a Associação Filantrópica Humanitas e para quem o programa Bolsa-Família acomoda as pessoas, tanto é que ele próprio não consegue reunir 20 mulheres na cooperativa de costureiras, que tem 30 máquinas modernas e oferta de serviço de fábricas de roupas em Londrina e Maringá. Através da cooperativa, a renda seria maior do que a bolsa-família, mas as pessoas são imediatistas, ''não pensam nas possibilidades para o futuro'', lamenta.
Até os 898 índios caingangues (241 famílias) em duas reservas no município, incluídos no programa, ''estão menos preocupados em fazer as roças deles''. Essa informações chegou à assistente social da Fundação Nacional do Índio (Funai), Evelise Viveiros Machado.
É notável a maior movimentação na cidade em comparação há outros tempos. Instalou-se o Cras numa confortável casa próxima ao Centro, cedida pela prefeitura, que pôs funcionários à disposição, enquanto o Governo Federal providenciou a informatização. Tereza Cristina Santos Perusso, gestora do programa no município, a assistente social Adriana Ferreira de Mello e a presidente local do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), Elza Aparecida Sutil, entendem que a importância do Bolsa-Família vai além do dinheiro.
O recadastramento anual obrigatório está ajudando na tarefa de convencer as pessoas a aderir também aos programas de promoção humana que não oferecem dinheiro, segundo elas. Conforme dados no Cras, o Bolsa-Família se baseia na população estimada pelo IBGE, 11.750 moradores. Levando-se em conta que uma família tem em média quatro pessoas, as 1.352 famílias recebendo benefícios somam 5.408.
O programa coloca mensalmente no município R$ 95.502,00, em média R$ 70,63, superior à média nacional, que é R$ 62 segundo o Ministério do Desenvolvimento Social. Em todo o país, são 11,1 milhões de famílias (mais de 45 milhões de pessoas) recebendo entre R$ 18 e R$ 112.
O casal Eloirde Subtil Soares-Isaías Soares, com uma filha de 15 anos e um menino de quatro para cinco, mora na periferia de São Jerônimo e teve o benefício reajustado de R$ 80 para R$ 94. Apesar do nome pomposo, ''Barão do Rio Branco'', a rua é uma pirambeira, coisa parecida com carreador em cafezal. Situa-se na Vila Sapé. De madeira, sem pintura e desprovida de esgoto, a moradia é de má qualidade, embora tenha luz elétrica e água encanada. ''A cidade é boa pra se viver, mas ruim pra se arrumar serviço'', queixa-se Isaías. Procurado, vez ou outra, para roçar pastos, ultimamente ele tem tido dificuldades por causa de ferimentos nos dois pés, causados por espinhos de samambaia.
Em condições semelhantes de moradia, também na Vila Sapé, o casal Ondina dos Santos Costa-Waldomiro Rodrigues Costa está entre os contemplados pelo programa, juntamente com uma filha que vai completar 15 anos. A família possui TV e geladeira. Segundo Ondina, a Bolsa-Família é complemento da renda familiar, a outra parte vem do trabalho do marido. A casa é da família e uma pequena lavoura em frente produz ao menos três latas de 18 litros de café em coco anualmente. ''Dá para o nosso consumo, pelo menos café não precisamos comprar.''

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