Curitiba - Um dos juízes da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Nicolau Lupianhes Neto, de Minas Gerais, tem um carinho especial pela área da Infância e Adolescência. É ele que está à frente da mobilização do Conselho que quer levantar dados sobre as crianças e adolescentes albergados em todo o país. O projeto pretende que as Varas de Infância e Adolescência de todo o país não informem ao CNJ apenas número, mas a situação de cada criança.
''Queremos saber quem elas são, onde estão, como estão, se têm família extensa (tios, avós etc)'', explica. A razão para tanto interesse em dados é que Lupianhes acredita que é só com essas informações que será possível resolver cada caso sob a ótica ''do melhor interesse da criança''. ''Nosso trabalho visa principalmente reintegrar a criança à família. A adoção é a última opção'', avalia.
Desde a lei 12010 há um prazo de dois anos para a criança ficar albergada, com reavaliação a cada seis meses. ''Mas o olhar na instituição tem que ser diário'', defende. Lupianhes não quis comentar a situação das Varas no Paraná, mas disse que o problema mais comum encontrado pelo CNJ é a ausência de equipe multidisciplinar. ''Falta estrutura'', sentencia.
O promotor de Justiça do Centro de Apoio às Promotorias de Infância e Juventude do Ministério Público (MP), Murillo José Digiacomo, vai mais longe. ''Não podemos dizer que não tem dinheiro porque a infância tem prioridade absoluta'', destaca. (R.C.F.)

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