A luta pela liberdade, tão cantada pelos negros nas senzalas, se reescreve. É para libertar o espírito da opressão das grades até o término da pena que os presos do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina cantam e dançam. Ontem, os capoeiristas do CDR foram batizados pelo mestre Lampião, numa cerimônia que reuniu 50 detentos pela manhã e outros 70 à tarde.
Da tradição dos antepassados, para o que se tornou um dos esportes mais praticados no País, surgiu o movimento capoeirista que funciona há três meses dentro do CDR. Do total de 869 presos, pelo menos 120 participam ativamente da escola de capoeira que reúne os rapazes no horário de sol.
Um círculo azul e outro amarelo ao redor de dois grandes berimbaus pintados na quadra de esportes; cordões coloridos espalhados no chão, onde os presos se ajoelharam para entoar os hinos da capoeira: ontem foi criado um verdadeiro altar para receber o batismo do mestre capoeirista.
''Eles mesmos prepararam a quadra'', ressaltou o major Raul Leão Vidal, diretor do Centro. Segundo ele, a iniciativa de criar uma escola de capoeira dentro do CDR partiu de dois presos que já eram capoeiristas e formaram um grupo. ''É oferecido a eles um programa de atividade física e enquanto uns praticam futebol de salão, outros preferem a capoeira'', justificou Vidal, explicando que além do esporte, os presos também têm acesso à educação.
Para o diretor, a arte ajuda a manter a disciplina, apesar dos detentos serem de alas diferentes. ''Aqui tem todo tipo de preso, de baixa até alta periculosidade, convivendo junto. E eles sabem que quem se comportar mal é afastado e não volta mais'', completou Vidal, que também vê na capoeira uma forma de ressocialização dos presos.
''A capoeira traz harmonia e proporciona espírito corporal e condicionamento físico e mental'', definiu o diretor. No entanto, conforme ele, muitos detentos ainda encaram a arte apenas como um esporte. ''Eles costumam praticar a capoeira todos os dias, na hora em que tomam sol, seja pela manhã ou à tarde.''

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