Mesmos direitos e deveres para todos
Na Guarda Mirim, todos os professores, funcionários e diretores fazem as refeições junto aos alunos, em uma demonstração de igualdade. Também utilizam os mesmos banheiros, em uma convivência que contribui para que se estabeleça uma intimidade maior com os estudantes. ''Nós aplicamos o princípio da justiça; ele é respeitado e tem que saber respeitar'', explica a educadora Eliana Morioka.
Ela calcula que a Guarda tenha capacidade para atender menos de 3% dos adolescentes em situação de risco da cidade, e lamenta que muitas instituições, inclusive escolas, estejam desistindo dos alunos mais problemáticos, chegando a expulsá-los. ''A responsabilidade sobre esses jovens, na verdade, é de toda a sociedade, e esta deveria usar os recursos de que dispõe para ajudá-los'', critica.
Para Marcelo Nogueira Lopes, diretor representante dos professores, um dos resultados mais importantes desse trabalho é o fato de a instituição conseguir evitar que esses adolescentes se envolvam com a criminalidade. ''O menino na periferia tem a realidade dele naquele mundo, e muitas vezes não tem a oportunidade de conhecer outro'', alega. A possibilidade de conviver em uma empresa, segundo ele, é um novo mundo que se abre, e o jovem passa a perceber que é possível participar dele. ''Esse é um fator determinante para abandonar a realidade que tem na periferia'', analisa. (A.I.)





