Mesmo sem favelas, Maringá entra no PAC
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Giancarlo Franquini<br> Especial para a Folha 
Apesar de não ter favelas, Maringá será o único município do Brasil que receberá recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para fazer obras de desfavelamento. A administração conseguiu provar ao Governo Federal que tem áreas de risco social e por isso precisa dos recursos para evitar que o problema se agrave. Com isso, a prefeitura vai receber R$ 20 milhões para a construção de mais de 800 casas populares.
Na primeira etapa da obra, que começa no mês que vem, serão construídas 169 casas. O projeto total terá quatro etapas e a previsão é que tudo esteja pronto até 2009. O coordenador de Políticas Urbanas e Meio Ambiente de Maringá, Guatassara Boeira, explica que a cidade só conseguiu se enquadrar ao projeto porque demonstrou que tem uma realidade diferente da maioria dos municípios brasileiros.
A justificativa usada pela administração, que acabou convencendo o Governo Federal, foi o fato de ter muitas famílias construindo residências no mesmo terreno. Isso comprovou a vulnerabilidade social exigida e garantiu os recursos do programa. Boeira afirma que a cidade tem características únicas e por isso foi possível ingressar no programa de desfavelamento. Em contra partida, o município também investirá perto de R$ 6 milhões.
''Não temos problemas tão graves como ocorrem em outras cidades, porque as administrações sempre cuidaram para que isso não ocorresse. Mesmo assim, temos problemas e é preciso resolvê-los, antes que se agravem. Não acho que temos de esperar para tomar as ações necessárias'', argumenta.
Os moradores do bairro Santa Felicidade serão os primeiros beneficiados. Eles receberão as casas construídas nessa primeira etapa. O bairro é o que mais apresenta problemas de infra-estrutura. As ruas são estreitas e na maioria dos terrenos vivem mais de uma família.
A prefeitura tem feito reuniões com os moradores e já os levou para ver onde serão construídas as novas residências. Entre os diferenciais do projeto apresentado por Maringá ao Governo Federal estão os locais onde as casas serão feitas. As obras vão acontecer em vários pontos da cidade e não em um único local, como em projetos de outros municípios. Segundo Boeira, a idéia é colocar essas pessoas em vários pontos, para evitar aglomerações e problemas característicos de grandes conjuntos habitacionais.
O coordenador explica que essa mudança vai trazer inúmeras vantagens porque o município vai usar terrenos próprios e não precisará desapropriar nenhuma grande área. Além disso, as pessoas não vão se mudar para longe de onde moram hoje. ''A pessoa já tem toda uma estrutura naquele local, amigos e contatos. Tirando-a do bairro e levando-a para um local mais distante, acaba gerando outros problemas, principalmente, em relação as crianças, que precisam mudar de escola'', observa.
Em alguns terrenos pequenos a prefeitura pretende construir até seis casas; já em outros locais mais amplos o número poderá passar de 20. As áreas terão no mínimo 200 metros quadrados, para manter os padrões adotados no resto da cidade. Esse é outro diferencial já que em outros municípios os terrenos têm no mínimo 125 metros quadrados.
Por enquanto, está definido apenas que serão beneficiados moradores do Santa Felicidade e do Tarumã. Para o restante das casas as secretárias de Urbanização e de Assistência Social estão cadastrando famílias que se enquadrem no programa.


