Mesmo sem dinheiro deixamos levar
Londrina Na horta comunitária do Ouro Verde tem espaço para todos: idosos, jovens, donas de casa, trabalhadores, aposentados. Se produz para o consumo próprio e também para o comércio. E a qualidade dos produtos e o preço abaixo do mercado chamam a atenção de moradores de toda a zona norte. A presença de clientes é grande no início e no fim do dia.
"Compro aqui toda semana. É perto de casa, mais barato e sai tudo fresquinho e com qualidade", garante o aposentado Isaque Andrade, de 74 anos, morador do Hilda Mandarino.
"Se sair vendendo de porta em porta dá para faturar uns R$ 90 por dia", conta o montador Nivaldo Barbosa, 48 anos e há 30 morando no Ouro Verde. Mas, neste pedaço de chão abençoado ganhar dinheiro está longe de ser a meta principal. "Muita gente vem aqui sem dinheiro nenhum e mesmo assim deixamos levar", revela.
Pisar no chão fresco, lavrar a terra vermelha é algo cada vez mais raro na cidade cercada de ruas, avenidas, carros e prédios. A horta se torna uma ilha no meio da selva de pedras. "A cidade só tem concreto, não tem mais terra sobrando para nada, nem no quintal das casas. Aqui ficamos isolados desta loucura", afirma Samuel Moura, 49. O eletricista cuida do canteiro pensando no consumo da família.
A fragilidade física dos 76 anos passa longe de quem observa a dona Helena Alves Santos de avental, mãos e pés sujos de terra ao plantar suas mudas de alface, almeirão, cebolinha e coentro. O sorriso no rosto revela a satisfação. "Isso aqui não é trabalho para mim, é terapia. Me sinto bem. Todo dia levo daqui a minha salada", se orgulha. "Quando cheguei aqui no Ouro Verde não tinha água nem luz."
João Lázaro Garcia, de 77 anos, trabalha como sorveteiro e nas horas vagas cultiva seu canteiro. "Eu gosto dos dois trabalhos, mas aqui na horta é sossegado. Plantou com carinho dá certo. A água é boa e as verduras não tem veneno", comenta Garcia, que cultiva entre as hortaliças, mandiocas. (L.F.C.)





