A ativação da nova rodoviária e o fechamento do velho terminal mudou a rotina de muita gente em Campo Mourão. Mas não a do vendedor de pipocas José Vaz de Oliveira, 53 anos. Ele continua na rodoviária velha com sua pipoqueira de mais de 30 anos. ''As vendas caíram pela metade'', reclama. Resultado: a pipoca foi substituída por sorvetes e doces.
''Vou ficar aqui até ver o que vão fazer com o prédio'', afirma Oliveira. Ele ganha R$ 210,00 por mês para trabalhar na pipoqueira que vende sorvetes, mas já prevê que o salário será reduzido. É que sem o movimento dos passageiros, ele não trabalhará mais aos domingos e perderá o ''adicional da folga''. ''Tem dia que eu não vendo nada''.
Quem também insiste em ficar na rodoviária velha é o vendedor de bilhetes da Loteria Federal, Aristênio Gomes, 82 anos. ''Na rodoviária nova eles não permitem vendedores, só passageiros'', lamenta ele, que passou a vender bilhetes há mais de 20 anos, quando perdeu uma perna em um acidente de carro. ''Antes trabalhava na roça'', conta.
Segundo Gomes, a venda de bilhetes ''piorou muito'' com a mudança da rodoviária. Mas ele continua no mesmo ponto, na esperança de dias melhores. Maria José dos Santos, 77 anos, que cuidava do bagageiro do velho terminal, sente saudades, mas não reclama muito. ''Estávamos cobrando R$ 2,00 para guardar as bagagens e quase ninguém mais estava pagando''.
A Prefeitura de Campo Mourão nomeou uma comissão popular para acompanhar a elaboração do projeto de revitalização da antiga rodoviária. A princípio, a idéia é transformar o prédio, construído em 1967, no centro da cidade, num espaço cultural.(Sid Sauer)

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