Mesmo no anonimato, sonho é realizado
O assistente de administração da Prefeitura Municipal de Curitiba Luís Carlos Schimitka, 44 anos, sempre quis ser locutor. Com 16 anos, ele fazia os comerciais do programa de rádio da rodoviária de União da Vitória. Dois anos depois, entrou para a equipe esportiva da Rádio Colméia - também em União da Vitória -, onde trabalhou por 60 dias.
Apesar de gostar da atividade, Schimitka ficou afastado do microfone até 1995. Já em Curitiba e trabalhando na prefeitura, ele foi convidado para fazer o noticiário sobre a cidade, emitido nos terminais de ônibus. O programa foi tirado do ar no ano passado, mas deu a Schimitka a grande chance para realizar seu sonho. Foi a partir disso que o titular da equipe de esportes da Rádio Paraná o convidou para apresentar programas e fazer plantões esportivos. Para mim, o microfone, a luz acesa e três pessoas ouvindo o programa (eu, o técnico e o companheiro de programa) já são motivos de realização. Hoje, além do trabalho na emissora, Schimitka também faz algumas das gravações de espera telefônica da Prefeitura.
A auxiliar de escritório Vilma Vitroca, 26 anos, que trabalha nas Lojas Americanas do centro da cidade, é responsável por 90% dos anúncios internos da loja de departamentos. Ela informa os preços, as ofertas especiais, dá parabéns aos aniversariantes e até anuncia o resultado de campeonatos de futebol. Tímida, Vilma diz que não executaria a tarefa com tanta descontração se tivesse de aparecer para as 10 mil a 12 mil pessoas que passam pela loja diariamente. Mas, quando os clientes sobem a escada da gerência para saber de quem é a voz que faz os anúncios, Vilma até os convida para um cafezinho. Teve gente que já trouxe até álbum de família para eu ver.
O atendente do serviço 190, da Polícia Militar, cabo Octavio Frizzas Junior, 34 anos, não escolheu a profissão por acaso - sempre gostou de trabalhar com o público. Hoje, no turno diário de seis horas, atende de 200 a 250 ligações. Nas sextas e nos sábados à noite, chega a responder a 500 telefonemas. Segundo ele, 30% das ligações diárias que atende são trotes. A voz de Souza pode ser conhecida de milhares de pessoas que já utilizaram o serviço 190 ou que, por uma brincadeira de mau gosto, passaram trote para o número. Mas, diferente dos locutores, ele não enfrenta curiosos. Nosso objetivo é amenizar os problemas que chegam até nós e encaminhar as pessoas aos órgãos competentes, diz. Quando percebemos que a conversa não é profissional, cortamos o assunto.





