Mesmo na favela, vida é melhor que na lavoura
Mauro FrassonFirmino com a mulher e quatro dos seis filhos na casa recém compradaCidade pequena, ruim de emprego. Quando a agricultura no município de Quedas do Iguaçu, no Oeste do Estado, deixou de ser uma atividade viável para Firmino Antônio Chicoski, 42 anos, ele não pensou duas vezes. Há nove anos, saiu da roça e veio para Curitiba tentar uma vida melhor, como ele mesmo fala. Firmino substituiu a enxada pela colher de pedreiro. Garante que a troca foi providencial. Apesar de estar morando no Jardim Tarumã II, sem qualquer infraestrutura, Firmino garante que está conseguindo dinheiro suficiente para sustentar a mulher e os seis filhos.
Mesmo sem demonstrar arrependimento pela mudança, Firmino tem saudades do campo e do tempo em que tinha que prestar contas apenas para si mesmo. Na roça o cara não é mandado por ninguém, lembra. Há quatro meses como inquilino da área de invasão, Firmino, que antes morava de aluguel em Piraquara, conquistou o sonho de ter a casa própria.
O ferreiro Sebastião Dias da Costa, 63 anos, tem uma história parecida com a de Firmino. Ele saiu de Itararé, no interior paulista, a convite dos filhos que residem no Jardim das Orquídes, que também faz parte do complexo da Vila Guarituba. Em Itararé, Sebastião não ia bem com as vendas das ferramentas que produz a ferro e fogo. A vida lá era bem difícil, conta. Há um ano morando em Piraquara, Sebastião conseguiu colocar até sua mulher nos negócios. Eu faço o material e a mulher sai para vender, relata.
Como Firmino e Sebastião, o segurança Renato Silva Vieira, 34 anos, acompanhou o pai que saiu do interior em direção à capital. O pai, um agricultor de Francisco Beltrão, sentiu dificuldades e resolver mudar de cidade. Veio com os cinco filhos, que permanecem morando na região metropolitana. Renato mora no Jardim Diamante, em Campina Grande do Sul. Água encanada ele tem; luz e energia regularizadas também. A ausência é o esgoto, como na quase totalidade das áreas periféricas de baixa renda da RMC. Os dejetos passam de uma casa a outra através de pequenas valetas até chegar a um pequeno riacho. O pessoal da prefeitura mandou comprar manilha, mas por que vou fazer isto se o esgoto vai continuar sendo jogado na casa do vizinho. Quem tem que ajudar a gente é a prefeitura, diz Renato, que mora em Campina Grande do Sul há 15 anos. Mesmo assim, ele não tem dúvida ao comparar sua vida hoje com a de antes. Aqui as condições para você viver são maiores. No interior, se você quiser viver da lavoura, não dá, diz. (D.V.)





