Mesmo inocentados, irmãos continuam detidos
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segunda-feira, 12 de maio de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Rolândia Os irmãos José Sérgio Vitalino, 21 anos, e Wesley Robson Vitalino, o Robinho, 18 anos, permanecem detidos na Delegacia de Rolândia (25 km a oeste de Londrina). Os dois só devem ser liberados após a conclusão do inquérito policial que investiga o assassinato do casal Guilherme Ponce Martins, 76 anos, e Luzia Simão Martins, 68 anos, o que deve acontecer até sexta-feira. O documento será então encaminhado ao juiz Alberto José Ludovico, que só então determinará a liberação ou não dos rapazes.
Na semana passada, C.A.Q., 17 anos, havia acusado Sérgio e Robinho de participação no assassinato do casal, ocorrido no dia 28 de abril num sítio do distrito de Barbira, a cinco quilômetros do centro de Rolândia. No final de semana, o menor inocentou os dois e disse que havia praticado o crime sozinho.
Hoje, serão ouvidas mais três testemunhas, entre elas os patrões de Sérgio e Robinho, que confeccionam cadeiras. Eles poderiam confirmar que os dois estavam trabalhando no horário dos assassinatos. ''Vamos apurar os fatos que dão conta de que eles são inocentes'', alegou o delegado Walter Helmut Echert. Segundo ele, o menor disse que resolveu acusar os irmãos porque tinha uma bronca deles. ''C.A.Q. relatou que eles foram juntos um dia à Exposição (Agropecuária e Industrial, realizada em Londrina em abril) e o Sérgio teria pago a entrada para todos que estavam ali, menos para o menor. Ele resolveu se vingar dessa forma'', contou Helmut.
A mãe dos dois, Maria Olita Vitalino, visitou ontem os filhos pela primeira vez desde a prisão. ''Eles estão bem, e isso é que importa'', disse ela. A família, que mora em Cambé, diz não guardar rancor e afirma que não tem planos de processar ninguém pela prisão. ''Essa história foi como uma tijolada na cabeça, pois é preciso que às vezes aconteça uma coisa dessas pra gente se lembrar que Deus nos ama'', afirmou Lucinéia Vitalino, irmã dos rapazes.
O advogado Irineu Lovato acredita que seria possível abrir um processo de indenização por danos morais contra C.A.Q., mas não contra o estado. ''A sistemática (da investigação) é essa mesmo'', disse.
Já C.A.Q. deve ser transferido nos próximos dias para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) de Paranavaí ou de Londrina. (Colaborou Thiago Mossini)


