Mesmo conscientes, muitos não resistem ao dia ensolarado
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de dezembro de 1996
Da Redação 
Conhecer os efeitos maléficos do sol sobre a pele, muita gente conhece. O problema é resistir ao chamado da piscina em um dia de sol e folga. A dona-de-casa Dirce Medina, 48 anos, estava com os filhos e uma sobrinha, sexta-feira, por volta do meio-dia, à beira da piscina do Grêmio (zona leste de Londrina). A gente sabe que o horário é inadequado, admite. Ela se justifica dizendo que chegou tarde no clube, mas garantiu que iria ficar só mais uma hora. A filha de Dirce, a estudante universitária Gislaine Medina, 19 anos, admite: Somos conscientes, mas irresponsáveis.
Outra dona-de-casa que estava na beira da piscina ao meio-dia era Fátima Cestari Pontes, 33 anos. Ela levou para brincar a filha, Káren Beatriz, de 6 anos, e garantiu que ficaria apenas por meia hora no sol. Fico preocupada com câncer, mas não resisto.
Preocupação com câncer de pele também não tira a professora de educação física Maria Dirce Melo Barravieira, 44 anos, da piscina ao meio-dia. Ela estava com a filha, Jéssica, de nove anos. E justifica: A gente tem que aproveitar hoje porque não é todo dia que tem um sol bom assim.
À beira da piscina do seu condomínio, na rua Santos (área central), a professora Angelita Gonçalves, 22 anos, procurava justificar a exposição ao sol forte do meio-dia com o uso do protetor número 15. Acho que assim não é tão arriscado. Mesmo com a pele bastante clara, ela diz que raramente fica com queimaduras. Consigo ganhar um bronze até com facilidade.
Por isso - e não pelos riscos à pele - Angelita não pretende tomar banhos de sol diários neste verão. Além do que, eu não tenho tempo.
A estudante Isadora Mendes Salgado, 15 anos, preferiu não acompanhar a vizinha. Ficou sob o guarda-sol à beira da piscina. Ela diz que não costuma tomar sol por ter a pele muito sensível. Mesmo usando protetor, eu fico toda vermelha. Venho aqui mais para dar um pulo na piscina na hora do almoço, antes de ir para a escola. Medo de câncer? É, também já ouvi falar que não é muito bom para a saúde.
A maioria dos entrevistados alega que o horário de verão permite que eles fiquem até ao meio-dia na piscina. Argumento que é combatido pelo médico dermatologista Rubens Pontello: Para nós não há diferença no horário de verão.


