Mesmo com medo, camelôs continuam vendendo CDs
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sexta-feira, 06 de dezembro de 2002
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Apesar do tumulto ocorrido no dia anterior, a maioria das barracas abriu as portas ontem, tanto no camelódromo da Avenida São Paulo (em frente ao Terminal Urbano de Transporte Coletivo) quanto na Avenida Leste/Oeste. A reportagem encontrou várias delas vendendo CDs piratas, mas não havia policiamento no local. Entre os ambulantes, sobravam críticas sobre a ação da polícia.
''A gente sabe que é ilegal, mas não precisava de tudo aquilo. E não podemos ser hipócritas, tem várias lojas na cidade que também vendem CDs piratas'', salientou a vendedora Ana Maria Costa, que teve mil CDs apreendidos. O prejuízo dela, colocando os CDs a preço de custo, chega a R$ 2,5 mil. ''Estava liquidando o estoque e não ia mais vender CDs. O dinheiro seria usado para a compra de novas mercadorias'', lamentou.
Um ambulante que não quis se identificar vendia seus CDs normalmente. Ele conseguiu escapar da ação de anteontem porque fechou o box em tempo. ''Vou continuar vendendo CDs, com certeza'', enfatizou. Outro ambulante vendia, segundo ele, ''o restinho do estoque''. Ele teve 800 CDs apreendidos e prejuízo de R$ 1,8 mil. ''Tenho um pouco de medo mas tenho que trabalhar porque tenho filho para cuidar'', justificou. Ele disse que não vai mais vender CDs.
Claudinéia de Paula, que vende produtos eletrônicos no camelódromo, reclamou: ''A maneira como os policiais agiram parecia que tudo aqui era bandido, a gente ficou com medo''.
A vendedora Ana trabalha revendendo CDs de programas de computador, mas mesmo não sofrendo com a apreensão de mercadorias reinvindicou: ''Eles brigam pelos direitos autorais e favorecem meia dúzia de burguesinho e desfavorece o resto''.


