A dor no peito e a falta de ar agora fazem parte da rotina da dona de casa Maria Helena Ferrer, 60 anos, moradora do Conjunto Ruy Virmond Carnascialli (Zona Norte de Londrina), tanto quanto as obrigações domésticas, como cozinhar e limpar a casa. É que ela está sem um dos dez remédios que toma todo dia para controlar o problema no coração. O medicamento é caro e ela não conseguiu obtê-lo de graça na 17 Regional de Saúde como fazia mensalmente desde 2004.
De acordo com Maria Helena, a alegação da Regional é que o medicamento - a caixa suficiente para um mês de tratamento custa R$ 260,00 - está em falta. E o prejuízo fica com a paciente, que está sem o remédio desde o dia 2.
O direito de receber o remédio de graça foi conquistado na Justiça de Paranavaí, onde ela morava. Mas agora Maria Helena está sendo obrigada a ''sobreviver'' sem o medicamento, já que é impossível comprá-lo com a pensão de um salário mínimo que recebe pela morte do marido.
Indignada, a viúva afirma que está disposta a trabalhar, mas que a saúde a impede. Uma simples faxina já é suficiente para provocar um cansaço insuportável, que não deixa a dona de casa fazer todo o serviço. Mesmo assim, há três meses Maria Helena procurou a Agência do Trabalhador para tentar uma vaga.
''O que eu mais queria era trabalhar e não mendigar para o governo. Se eu aguentasse trabalharia, mas não consigo. Hoje tenho de andar com uma sacola pronta, com camisola e pasta de dente, porque posso ir para o hospital a qualquer momento'', lamenta.
De acordo com informações da Central de Medicamentos do Estado, o remédio usado por Maria Helena, um anti-agregante plaquetário, já foi comprado pela modalidade de dispensa de licitação e estará disponível nos próximos dias.

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