Mesmo com crise, dekasseguis migram
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de setembro de 1998
Andrea Vendramini 
Apesar da crise econômica enfrentada pelo Japão - o país vive a maior recessão do período pós-guerra - agências especializadas continuam oferecendo, em anúncios em jornais, trabalho para dekasseguis dispostos a conquistar uma situação financeira estável trabalhando na terra de seus antepassados. Mesmo com uma redução dos salários de cerca de 50%, principalmente por causa do corte das horas extras pagas pelas empresas, muitos descendentes de japoneseses continuam saindo do Brasil para trabalhar no Japão.
A Interlife, empresa que atua em Curitiba oferecendo colocações no mercado de trabalho japonês, cobra R$ 2,8 mil pela passagem aérea para o Japão. O valor, que inclui também a colocação numa empresa japonesa, pode ser pago em até 10 vezes, em parcelas descontadas do salário. A empresa oferece embarque imediato para quem estiver disposto a trabalhar em uma indústria de componentes eletrônicos.
Outra agência, a Brazilian World Tour, cobra R$ 1,5 mil apenas pelo serviço de assessoria, ou seja, para assegurar a colocação do dekassegui no mercado de trabalho. Uma atendente explicou que, apesar da crise, só voltam para o Brasil as pessoas que não querem trabalhar. A empresa oferece alojamento no Japão até que outra moradia seja providenciada pelo contratante.
O presidente da Associação de Proteção aos Dekasseguis, o vereador Rui Hara, aconselha os interessados em trabalhar no Japão a avaliarem as condições de vida que têm no Brasil. Se a pessoa tem um salário razoável no Brasil, ela pode tentar construir sua vida aqui mesmo, diz. Segundo Hara, com a redução dos salários dos dekasseguis, para US$ 1,5 mil em média, será possível economizar, com muito sacrifício, cerca de US$ 12 mil por ano. Depois de viver três anos no Japão, o dekassegui voltará com R$ 36 mil, uma quantia não muito alta para recomeçar a vida.
A ida para o Japão com emprego certo e local para morar, entretanto, ainda pode ser uma boa opção. Empresas cobram por esse serviço, mas ir através das agências é a única maneira de ir para o Japão com segurança, diz Hara. Hoje, cerca de 230 mil dekasseguis - 40 mil do Paraná - estão no Japão. A crise econômica deve reduzir de US$ 3 bilhões para US$ 1,8 bilhão por ano a quantia enviada ao Brasil pelos dekasseguis.


