Mesma mulher tenta dois raptos
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segunda-feira, 26 de outubro de 1998
James Alberti 
A mulher que raptou a menina Jéssica, de 14 dias, na quarta-feira passada no calçadão da rua XV de Novembro, centro de Curitiba, pode ter tentado levar outra criança no mesmo dia. Ontem de manhã um casal registrou queixa no Serviço de Crianças Desaparecidas (Sicride) do Paraná e afirmou que uma mulher havia tentado roubar a filha deles, de cinco anos, na Rodoferroviária, às 19 horas, três horas depois de Jéssica ter sido levada. Duas coincidências entre os casos intrigam a polícia. A primeira é que os retratos falados das duas mulheres são semelhantes. A segunda é que os dois casais moram em um depósito de papelão à margem da Avenida das Torres.
De acordo com o superintendente do Sicride, Renato Ferreira, existe a possibilidade de o segundo casal ter visto o retrato falado da acusada do sequestro de Jéssica durante o final de semana, quando foi divulgado pela imprensa. Isso teria influenciado a descrição. Tal hipótese ganha força pelo fato dos pais não terem feito a queixa ainda na sexta-feira. Apesar disso, Ferreira prefere acreditar que a responsável pelo rapto e pela tentativa do segundo é a mesma mulher e conhecia os casais.
O policial afirmou que o segundo casal teria recebido dois presentes da mulher: uma cortina e um par de meias para a menina. Os objetos estão aqui. É difícil que eles tenham inventado a história, opinou Ferreira. A estratégia de dar presentes para atrair os pais da criança que seria raptada foi semelhante a utilizada pela mulher que levou Jéssica.
Rosângela de Fátima Bernardes, mãe de Jéssica, disse que a mulher que levou sua filha tinha oferecido um peça de roupa para a criança. A acusada também teria seguido Rosângela e o marido, Auriclóves de Oliveira, por três horas, antes de praticar o crime. Embora tenha tentado registrar o rapto momentos depois, a queixa só foi efetuada no dia seguinte.
Ferreira disse que o segundo rapto foi evitado porque os pais da menina de cinco anos desconfiaram que a mulher queria levar a criança e fugiram. O superintendente afirmou que quatro pessoas estão sendo investigadas pelo Sicride. Todas já teriam envolvimento anterior com o rapto de bebês. Para Ferreira, os retratos falados têm semelhanças com Arlete Hilú, que já foi presa e condenada pelo tráfico de crianças para o exterior. Conforme o policial, após cumprir pena, ela estaria solta e morando na capital.


