Meses depois, chega laudo sobre a morte de jovem
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segunda-feira, 26 de maio de 1997
Paulo Ubiratan 
Na última quarta-feira chegou às mãos do delegado do 2º Distrito Policial, José Antônio Zuba de Oliva, o laudo sobre a morte de Cristian César Moretto, 19 anos, morto em março deste ano, depois de ser baleado em julho do ano passado no interior de uma lanchonete. O delegado, diante do atraso do Instituto Médico Legal (IML), chegou a mandar um ofício para a direção do orgão em Curitiba, denunciando o fato. O último laudo do IML, entregue na quarta, se refere a Charles Roger da Silva, ferido no tiroteio que vitimou Cristian.
O caso da morte do rapaz está cheio de desencontros e mostra o quadro de crise nos organismos de segurança de Londrina. Os desencontros começaram com o sumiço, por 19 dias, do inquérito policial que incriminava os responsáveis pela morte de Cristian.
A vítima morreu de infecção generalizada depois de receber um tiro nas nádegas. Sua morte ocorreu em março deste ano, depois que o rapaz passou oito meses paralisado em uma cama. Os irmãos Joel e Rubens Mendes, de 30 e 32 anos, foram os autores dos disparos que também atingiram os jovens Charles Roger e Edenildo Rodrigues. Eles estavam em uma lachonete da vila Sian (zona leste). Os irmãos continuam livres.
Desde a abertura do inquérito, os advogados da família Moretto, Rossana Helena e Jorge Karatzio, somente há dois meses tiveram acesso aos autos. Os advogados chegaram a fazer uma petição ao juiz da 1ª Vara Criminal para que a polícia explicasse porque o inquérito continuava parado e os criminosos livres. Na época, quem presidia o inquérito policial era o delegado José Roberto da Silva, que se aposentou e foi substituido por José Antônio Zuba de Oliva. Pelo tempo que passou, os dois acusados somente não fugiram porque não quiseram. Se a imprensa não tivesse levado a público o caso, dificilmente este inquérito seria achado e provalmente esquecido para sempre em alguma gaveta, comentou Plínio Novais, amigo de Cristian Moretto. Ele diz estar inconformado com o descaso da polícia. Novais comentou: Quantos casos iguais ou piores devem ter ocorrido? Deve haver muitos casos em que as famílias, sem recursos e com medo, deixam os crimes prescreverem e os culpados ficam na impunidade.
A descoberta do inquérito desaparecido ocorreu depois que a imprensa entrou em contato com Zuba de Oliva e o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Leonyl Ribeiro. O delegado Zuba de Oliva afirmou, na época, que o inquérito havia sido encaminhado em 20 de dezembro do ano passado para o Fórum, com pedido de prazo devido ao atraso dos laudos do IML. No dia 20 de fevereiro, o delegado conta que pediu de volta os autos, quando então solicitou mais um prazo de 30 dias. Ele argumentou que o inquérito não é devolvido diretamente ao delegado e concordou que a demora dos 19 dias estava fora do normal.
Somando o tempo que ficou perdido e as demoras dos laudos fornecidos pelo IML, o inquérito policial para apurar a morte de Cristian Moretto bate um novo recorde de morosidade policial. Até então, o mais demorado era o da morte da doméstica Cleonice de Fátima Rosa, em 10 de julho de 1992. A polícia levou 11 meses para indiciar a principal suspeita, a artista plástica Vanda Pepiliasco.


