Mês da Consciência Negra é comemorado em Londrina com vários eventos
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quinta-feira, 07 de novembro de 2019
Vitor Ogawa - Grupo Folha
Novembro é o mês da Consciência Negra. A data lembra a morte do líder quilombola brasileiro Zumbi dos Palmares e, durante todo o mês, serão realizadas ações visando fortalecer o combate ao preconceito, à discriminação racial e ao racismo. Em Londrina, a agenda especial é promovida em rede por diversas entidades. O município se destaca também porque sempre esteve na linha de frente das atividades ligadas ao movimento negro.
Entre os eventos programados em Londrina está a Feira Afro Criativo de Empreendedoras e Empreendedores Negros, entre os dias 22 e 24. Trata-se de um espaço cultural composto de 27 barracas com produtos afro, uma praça de alimentação com comidas típicas e um palco para apresentações de shows locais e regionais. O espaço servirá também para trocas de informações e comunicações culturais de Londrina e todo o estado do Paraná, e funcionará de quinta a domingo na região central, nas proximidades do Terminal Urbano. As barracas ficarão no pátio do Museu Histórico.
“Nós cuidamos da organização e o Governo do Estado participa com o fornecimento da infraestrutura da feira. Essa feira é um investimento do Estado em nosso afro-empreendedorismo. Traz com ela essa formação em afro-empreendedorismo, em posicionamento de marca, de divulgação do próprio trabalho”, aponta a presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Maria Eugênia de Almeida Pinto.
Ela explica que a feira está priorizando o empreendedorismo preferencialmente da cultura negra. “Porque temos afro-empreendedores que não trabalham diretamente com a cultura negra. A feira está aberta para eles também, mas estamos priorizando quem trabalha com culinária negra, quem faz bonecas negras”, exemplifica. As inscrições para expor na feira estão abertas até o dia 11, por meio do formulário disponível no link http://bit.ly/AfroCriativo
A programação para o mês também inclui a 34ª Mostra Afro-Brasileira Palmares Londrina, 3ª Mostra de Música Afro-Brasileira, entre outros. A abertura oficial das atividades aconteceu na terça-feira (5), no gabinete do prefeito Marcelo Belinati. “Temos que trabalhar, com a sociedade, contra todos os tipos de preconceitos, conversando com as pessoas, para que todos sejam respeitados", disse o prefeito.
AROL
Londrina sempre esteve na linha de frente das atividades ligadas ao movimento negro do País. A comunidade criou o Clube Quadrado em 1939 e que depois se tornou Sociedade Beneficente Princesa Isabel, e a Arol (Associação de Recreação Operária de Londrina), fundada em 1957. “Somos 30% de negros aqui na cidade e, na minha opinião, por conta desse negro ser melhor sucedido, proporcionou essa formação política. O negro em Londrina trabalhava com café em pequenas propriedades e tinha uma renda. Isso se deve à própria formação política da cidade”, destaca a presidente do conselho.
“A criação da Arol para ser um clube negro possibilitou que uma população negra tivesse condições de frequentar clubes e festas, porque a maioria desses negros trabalhava no plantio e na colheita do café. O café judiava muito, mas pagava bem”, destaca. Ela ressalta que o município tinha essa segregação porque grande parte dos colonizadores vinha de São Paulo e tinham origem europeia. “É fato que a avenida Paraná era local de passeio no fim de semana e que tinha um lado da rua para negros e outra para brancos. Havia espaço para segregação na cidade.”
Maria Eugênia explica que, quando veio o regime militar, todas as instituições negras foram dissolvidas, principalmente as com sedes sociais. “Com isso o movimento negro dá uma refluída, mas nos anos 1980, com a abertura política, os movimentos começam a se reorganizar. Se cria em Londrina o movimento União Consciência Negra e tivemos o Bar Zumbi dos Palmares, que era mais que um bar. Era um ponto cultural da raça negra comandado pelo Idalto José de Almeida. E o movimento bombou nessa época”, destaca.
Ela relembra que depois foi criado o Conselho da Comunidade Negra em 1996, voltado mais à cultura. “Nessa crescente de posicionamento político do movimento negro, cria-se um conselho voltado para políticas públicas para a população negra, já que não existia política para saúde e educação que contemplasse a comunidade negra”, aponta. Em 2004 esse conselho é transformado no Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial.
Segundo ela, faz parte da militância e das conquistas do movimento negro celebrar o mês de novembro. “Isso acontece no País todo. É uma data em comemoração ao 20 de novembro, dia de Zumbi dos Palmares, que foi se tornando semana e depois se tornou o novembro negro”, destaca.