Mergulhador procura, sem sucesso, corpo de rapaz
Osmani Costa
De Londrina
O churrasqueiro Fábio Rogério Gonçalves, 19 anos, está desaparecido desde a noite de anteontem quando o barco de madeira em que pescava com quatro colegas, no Rio Tibagi, virou e afundou. Segundo os sobreviventes relataram à Polícia, chovia muito no momento do acidente, a vítima não sabia nadar e nem usava colete salva-vidas.
Uma equipe do Corpo de Bombeiros iniciou o trabalho de busca ainda na madrugada de ontem. Durante todo o dia, mergulhadores procuraram sem sucesso pelo corpo de Fábio Gonçalves. A operação de busca, coordenada pelo 1º tenente Anderson de Souza Cortez, foi interrompida no início da noite de ontem e deve ser retomada na manhã de hoje. O barco também não foi encontrado.
O acidente aconteceu perto da estação de captação de água da Sanepar, onde o Ribeirão Três Bocas deságua no Tibagi, a cerca de 15 quilômetros do centro de Londrina, na zona sul. Os outros quatro pescadores se salvaram porque sabiam nadar. Na tarde de ontem, o irmão gêmeo da vítima, Flávio Rodrigo Gonçalves, esteve no local para acompanhar o trabalho dos bombeiros.
Segundo ele, Fábio nunca gostou e nem soube nadar e pescar. Ontem (anteontem), ele ligou quando saiu do restaurante onde trabalha para avisar que estava indo pescar com uns colegas. Eu e minha mãe estranhamos. Quando foi por volta da meia noite, chegaram com a notícia da morte dele. Logo agora que ele estava bem empregado e pensando em comprar um carro, lamentou Flávio Gonçalves.
O barco que afundou causando o acidente havia sido alugado por R$ 10,00 na chácara da família Queiróz, que há cerca de 12 anos explora o negócio naquela margem do Tibagi. A chácara tem quatro barcos de madeira e um de alumínio. Os barcos não contam com motores, bóias e nem coletes. Mortes por afogamentos naquele ponto do rio, próximo a um porto de areia, são comuns. Segundo a dona da chácara, Idalina Queiróz, o jovem Fábio Gonçalves foi a 18ª vítima fatal desde que a família chegou ao local.
Conforme a chacareira, o líder do grupo de pescadores que sofreu o acidente é um açougueiro que conhece apenas como Ricardo. Ele vem aqui há muitos anos. Na noite de terça-feira ele chegou com três amigos. Eu ainda disse que eles não deviam ir, porque chovia muito. Mas eles insistiram, pegaram o barco e ainda levaram meu filho Paulinho. Ninguém teve culpa, mas o acidente aconteceu e mais um acabou morrendo, contou ela.
Idalina Queiróz afirmou ainda que o barco alugado era para apenas três pessoas e não para cinco adultos. O Ricardo disse que iriam somente três, mas foram em cinco. Ele disse que ficariam jogando tarrafa aqui perto da chácara, mas foram muito longe, ressaltou a dona do barco que afundou. O filho dela, Paulo Queiróz, 17 anos, costuma sair para pescar com os clientes que alugam barcos. Ele contou que já estavam terminando a pescaria quando ocorreu o acidente. A Folha não conseguiu localizar o dono de açougue conhecido apenas por Ricardo.





