Merenda tem desequilíbrio nutricional
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de setembro de 2000
Carolina AvansiniDe Londrina 
A merenda escolar distribuída em Londrina apresenta valor energético defasado, deficiência de cálcio e das vitaminas A e C. A constatação foi feita pela nutricionista Maria Cristina Simões de Carvalho Tomasetti, coordenadora do curso de nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar), que realizou uma pesquisa em três escolas estaduais da cidade. O trabalho foi classificado em segundo lugar na área de saúde coletiva no 1º Prêmio Maria Lúcia Cavalcanti, promovido pelo Conselho Regional de Nutrição.
A pesquisadora analisou os hábitos de 640 crianças de 1ª a 4ª séries matriculadas em escolas sem cantina, localizadas em diferentes regiões de Londrina. Os dados obtidos revelam que o valor energético das refeições está 31,43% abaixo do nível recomendado pelo Programa de Merenda Escolar, vinculado ao governo federal.
A merenda oferece apenas 3,4% da quantidade diária de cálcio necessária às crianças. O ideal seria oferecer 15%. Nessa idade, o cálcio é importante para a formação dos ossos, informou Cristina. Com relação às vitaminas A e C, as perspectivas são pouco animadoras, pois o teor recomendado foi alcançado em apenas dois dias da semana analisada.
Em contrapartida, o índice de proteínas presentes é elevado, apontando para um desequilíbrio nos macronutrientes. A boa notícia é que os teores de ferro e fósforo foram considerados proporcionalmente adequados.
Para a pesquisadora, essas deficiências poderiam ser solucionadas com a inclusão de leite e derivados, verduras, legumes e mais frutas nos cardápios. Por ser municipalizada, a merenda deveria utilizar mais produtos in natura. Seria até uma forma de fomentar a produção agrícola da cidade, enfatiza.
A pesquisa também analisou o estado nutricional dos estudantes, encontrando 19,39% com excesso de peso e 4,08% com peso abaixo do ideal. Este resultado confirma a necessidade de mudança na merenda escolar. A obesidade infantil é preocupante em nossa região, a escola devia atuar na formação de bons hábitos, explica Cristina.
Ela ressaltou que as características encontradas são herança de 50 anos atrás, quando foi implantado o programa. Na época havia desnutrição proteica e calórica, mas hoje em dia o problema de excesso de peso é preponderante. A merenda deve se adapatar à realidade, completou.
Outra constatação diz respeito à baixa aceitação dos cardápios entre o público a que se destina. Apenas 9,18% dos alunos tomam merenda todo dia e 23,81% nunca comem a comida oferecida pela escola. A rejeição se explica pelas inadequações na escolha e preparação dos alimentos, além da utilização de muitos produtos pré-prontos.
Arroz e feijão são comuns na hora do almoço e jantar, nunca no horário do lanche. Ao ofertar esse tipo de alimentação, a escola está contribuindo para aquisição de excesso de peso, além de formar hábitos inadequados, explicou.
Em Londrina, alguns pacotes de arroz e feijão distribuídos para a merenda escolar apresentaram irregularidades no peso. Na segunda-feira, será aberto inquérito policial para investigar os responsáveis.


