Merenda substitui almoço
No Colégio Estadual Albino Feijó Sanches, o movimento de alunos é constante na porta da cozinha. Em todos os turnos, crianças e jovens abordam as merendeiras desde a hora da entrada para saberem qual será o cardápio do dia. As ''tias'' têm sempre um biscoito, um copo de leite ou uma xícara de chá para amenizar a fome dos que vêm de casa sem comer, o que não é raro acontecer.
''Como grande parte das crianças fica sozinha em casa, nem sempre conseguem tomar café da manhã. As do período da tarde, às vezes deixam de almoçar em casa porque a refeição tem de ser esquentada'', disse a diretora Lucia Cortez Martins. Segundo ela, o grande número de alunos que chegam em jejum geralmente é reflexo da ausência de adultos. ''Nem sempre é falta de comida'', comentou.
Os estudantes do ensino médio, que transitam entre escola e trabalho sem passar em casa, também são consumidores fiéis das refeições servidas pelo colégio. Rharize Monichtelli Passos, 17, estuda no período matutino e trabalha à tarde em um supermercado. Como não toma café da manhã, ela se alimenta na hora da merenda e vai direto para a empresa, onde faz um lanche no meio da tarde. Como ela, Juliana Quirino Fagundes, 17, costuma almoçar na escola para não ter de providenciar a refeição quando chega em casa. ''O cardápio é variado e nutritivo'', elogiou ela. Tales Henrique Gabriel Matocanovic, 14, ainda não trabalha, mas sempre está com fome no intervalo das aulas porque não toma café da manhã. ''Eu como na escola e depois almoço em casa'', contou ele. (C.A.)





