Merenda pode ficar sem frutas e verduras
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quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
A merenda das mais de 3,5 mil crianças e adolescentes atendidos por creches e entidades filantrópicas de Londrina poderá sofrer mudanças no ano quem vem. É o que propõe a Secretaria Municipal de Educação, que reuniu representantes de 23 creches e 15 instituções, na semana passada, para discutir o repasse de verbas para alimentação.
Segundo a secretária Carmen Sposti, a Prefeitura pretende suspender o fornecimento de verduras e legumes e repassar apenas a carne moída para as entidades. ''Sugerimos uma troca de itens da merenda. Passaríamos a fornecer alimentos mais básicos como arroz, feijão, óleo, flocos de milho e biscoitos e as entidades ficariam responsáveis pela obtenção dos hortifrutis'', assinalou.
A secretária explicou que com a terceirização da merenda escolar a entrega dos alimentos, que era feita semanalmente, ponto a ponto, ficou muito cara para o Município. ''Pretendemos reduzir apenas os postos de entrega, mas não o valor repassado'', assegurou Carmen, ressaltando que é mais fácil para as entidades obterem os itens de hortifruti ''em sacolões e por meio de doações''.
Segundo ela, das 65 instituições conveniadas com a Prefeitura, só 52 estão aptas a receber recursos do governo federal. ''Ao todo, a União repassa R$ 163 mil para a merenda, mas para atender a todos a Secretaria precisa quadriplicar esse valor com recursos próprios.''
Com a nova medida, a Prefeitura continuaria destinando R$ 0,22 para a alimentação de cada criança credenciada, fornecendo itens básicos e a carne moída, que ficaria estocada nos freezers das entidades.''Mas nada está decidido ainda'', afirmou Carmen, reforçando que deve apresentar uma proposta definitiva para as creches e instituições filantrópicas ainda esta semana.
Para Maria Lúcia da Silva Cordeiro, chefe da divisão administrativa da Creche Imaculada Conceição, que atende 127 crianças no Conjunto União da Vitória IV (Zona Sul), ''não é justo a Prefeitura deixar de repassar itens essenciais na alimentação das crianças como frutas e legumes''.
Segundo ela, durante a reunião, os representantes da Secretaria de Educação mostraram-se bastante receptivos às demandas das creches e entidades, ''mas não é por isso que não ficamos revoltados com a situação'', disse.
''Por sorte, recebemos doação de frango de uma empresa, mas e as outras instituições que não têm de onde tirar dinheiro para comprar alimentos?'', questionou Maria Lúcia, avisando que a creche terá de correr atrás do prejuízo caso a Prefeitura resolva suspender o abastecimento dos itens de hortifruti. ''Vamos ter de enviar ofícios para empresas e centrais de abastecimento pedindo ajuda.''
Para o presidente do Instituto Londrinense de Instrução de Trabalho para Cegos, Carlos Roberto Miranda, a Prefeitura não está economizando e sim tirando recursos da merenda. ''Estão trocando um item que custa R$ 5 por um que custa R$ 2 e quem sofre é a instituição para conseguir complementar a alimentação das criancinhas.''
Segundo Miranda, o instituto dos cegos atende hoje 150 crianças que vivenciam não só a cegueira, mas também outras deficiências. ''Deste total, apenas a metade é atendida pela Prefeitura'', informou.
Sem faturamento, o presidente não sabe como fará para alimentar as crianças se a proposta da Secretaria for aprovada. ''Ao invés de apoiar, a Prefeitura ainda tira. Fazer a entidade buscar doação é o cúmulo'', desabafou.


