Merenda deixa escolas na mira do governo
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terça-feira, 05 de setembro de 2000
Michele Muller De Curitiba 
A Secretaria Federal de Controle, do Ministério da Fazenda, constatou problemas no programa de merenda escolar em seis escolas paranaenses, durante fiscalização realizada desde outubro do ano passado em ceca de 1,3 estabelecimentos de ensino fundamental do País. Cinco das seis escolas citadas pela assessoria de imprensa do Fundo Nacional de Desenvolvimento e Educação (FNDE), que recebeu anteontem o relatório parcial da auditoria, são de Toledo, no Oeste do Estado. A sexta é de Nova Sarandi, município vizinho.
As irregularidades, que podem ser o não-fornecimento da merenda em alguns dias do ano ou a falta de qualidade do alimento, não foram especificadas no relatório e ocorreram durante um breve período de tempo de 10 a 20 dias. O documento também não determinou quando os problemas ocorreram. Uma reunião entre representantes da secretaria, marcada para a próxima segunda-feira, deve definir como serão feitas as investigações detalhadas sobre cada caso.
A relação das escolas acusadas causou revolta na secretária de Educação de Toledo, Ermínia Machiavelli. Estou há mais de três anos à frente da secretaria e posso garantir que nunca houve problema nenhum. As cozinhas dos colégios são de um padrão excelente, argumentou. Até ontem à tarde, ela aguardava contato com o FNDE para pedir explicação sobre a listagem.
Todas as escolas citadas são municipais: Alberto Santos Dumont, Henrique Brod, Borges de Medeiros, Reinaldo Arosi, André Zênere e Orlando Luiz Bassei, em Nova Sarandi. A secretária do prefeito de Toledo, Maria dos Santos, disse que telefonou para os colégios e não descobriu nenhum problema. Nós apenas constatamos que em algumas escolas a cozinha foi reformada, disse.
Um dos estabelecimentos municipais que recebeu novos equipamentos para a cozinha no ano passado foi o Alberto Santos Dumont. A coordenadora da escola, Sueli Luckmann Guerra, negou que a reforma possa ter alguma relação com a irregularidade. Gostaria que o lanche que o Estado providencia fosse de melhor qualidade, mas nunca faltou, afirmou.
Segundo ela, os alimentos são comprados em conjunto pela prefeitura e pelo Estado, já que, no mesmo prédio, funciona o Colégio Estadual Jardim Porto Alegre. Nós servimos o mesmo lanche nas duas escolas. Não entendo por que a Santos Dumont foi citada e a Jardim Porto Alegre não, surpreende-se. A coordenadora da Escola André Zênere também se mostrou surpresa. Nunca soube que faltou merenda. Não sei de onde tiraram isso, disse.
A Secretaria de Controle ainda deve fiscalizar cerca de 1,6 mil escolas em todo o País. Das 1,3 mil que receberam a auditoria, 344 (26%) apresentaram alguma irregularidade.


