Mercosul divide as mesmas doenças
Maigue Gueths
De Curitiba
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, todos países do Hemisfério Sul americano e integrantes do Mercosul, repartem praticamente os mesmos problemas na área de saúde, a mesma falta de verbas para pesquisas biotecnológicas, além de estarem enfrentando as mesmas doenças emergentes ou mesmo reemergentes. Por este motivo, pesquisadores e profissionais participantes do Virológica 99, que está sendo realizado em Curitiba desde o dia 21, com encerramento hoje, estão pensando em organizar em breve um programa conjunto para resolver as deficiências na área virológica junto a humanos, animais e vegetais.
O assunto está sendo discutido no 10º Encontro Nacional de Virologia e 2º Encontro de Virologia do Mercosul, promovidos pela Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) com organização dos seus sócios paranaenses. Além de profissionais da área do Brasil, estão presentes representantes de outros 11 países. No Mercosul, segundo Erna Kroon, vice-presidente da SBV, algumas doenças mais comuns e ainda sem controle são a dengue e a frebre amarela, além de outras arboviroses (viroses transmitidas por mosquitos). No Brasil, a incidência de dengue no Sul é pequena, mas os números assustam em estados do Nordeste, e no Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
As preocupações também recaem sobre antigas doenças, como as influenzas, ou seja, os vírus respiratórios que, por serem tramsmitidos através do ar, são dissiminados rapidamente, e podem resultar em pneumonia para os mais idosos. O hantavírus, transmitido através da urina de rato, também é responsável por infecções pulmonares com mortalidade alta. Por isso, os órgãos de saúde já estão fazendo exames mais detalhados em pessoas com leptospirose. Em Belo Horizonte, segundo Erna, foram notificados 100 mil casos de dengue em seis meses de 1998, para uma população de 2 milhões de pessoas. O Sul, por sua vez, teve uma epidemia de sarampo em no ano passado, no Paraná e em São Paulo.
O HIV também continua sendo um problema muito sério, porque apesar de já existir remédios bem avançados, ainda é uma doença sem cura, diz Erna, lembrando, ainda, que os vírus da hepatite B e C, transmitidos por via sexual e pelo sangue também são preocupantes. Já existe vacina contra a hepatite B, mas a tipo C ainda não tem recursos terapêuticos e quase 100% dos casos acabam em quadros graves de cirrose, diz.
Os pesquisadores preferem não citar números sobre a incidência das doenças, uma vez que, segundo Sonia Raboni, infectologista do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), nem todos os casos de doenças são notificados. O governo tem que ter um método de notificação mais eficiente, pois a maioria só avisa da doença quando sabe que conseguirá remédios gratuitos com esta atitude, diz. Outro problema, para Meri Bordignon Nogueira, presidente da comissão organizadora do congresso, é a falta de investimento em pessoal, seja na qualificação técnica ou na contratação de novos especialistas, além dos cortes em recursos para pesquisas e na falta de bolsas de estudo para os profissionais.





