Mercosul cresce no interior
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sábado, 02 de agosto de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Arquivo/FLDescentralizaçãoMapa distribuído no Fórum de Prefeitos do Mercosul, em CascavelDurante muito tempo, o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) foi assunto limitado a governos centrais e seus articuladores, economistas e diplomatas. As discussões estavam polarizadas entre industriais do eixo São Paulo-Buenos Aires, e em menor escala Assunção-Montevidéu.
Seis anos depois do tratado que deu base à formação do bloco, começa a ser rompida a polarização, que deixava em último plano regiões do interior do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, países oficialmente integrados. A adesão de Chile e Bolívia ainda é informal.
Para evitar a posição de coadjuvante, arcando ainda com custos da integração, os municípios mais próximos das fronteiras estão promovendo o estreitamento de relações, superando os aspectos econômicos. Isso ocorre depois de tímidos encontros iniciais para quebrar o gelo, agora ampliados definitivamente.
É o caso do Fórum Permanente Regional de Prefeitos do Mercosul, integrado por 95 chefes de executivo, e que realiza encontros periódicos. O último deles foi há duas semanas, em Cascavel, pela primeira vez no Paraná.
O organismo deve mudar de nome, passando a se chamar Fórum Regional de Municípios, evitando a caracterização como entidade de prefeitos. Porém, o Fórum já agrega amplos setores não-governamentais.
As questões econômicas, como agropecuária, indústria e comércio são debatidas, mas a maioria das comissões temáticas se volta a aspectos educacionais, sócio-culturais e relacionados à qualidade de vida das populações fronteiriças e ao próprio papel da população. Em algumas cidades, há iniciativas para motivar a comunidade para a integração.
Em Cascavel, por exemplo, no campus da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), um mural, chamado de Universidade - Arte, Cultura e Latinidade é apresentado como símbolo da integração.
O mural tem 15 metros de largura e 8 de comprimento. Foi produzido por artistas plásticos argentinos e paranaenses. A obra retrata um indígena de fortes traços físicos em meio a elementos da natureza.
A praça que circunda a prefeitura é chamada de Esplanada do Mercosul. No Paço das Artes foi criado um Memorial das Cidades, com uma central de informações turísticas.
Movimento Hoje, o movimento comercial promovido pelo Mercosul representa 1,5% do montante mundial de negócios (mercado formal). As trocas entre os parceiros em 96 foram de US$ 15,2 bilhões.
O crescimento, a partir de 1991, foi de 236%. Há, portanto, uma expectativa de crescimento na participação do Mercosul no movimento comercial do globo, em vista dos progressos que vem sendo alcançados até agora.


