Uma farmácia, um bar, um ateliê, um bazar, um consultório de dentista e dois salões de beleza. Esse conjunto de serviços poderia fazer parte de qualquer prédio comercial, mas é o que forma o Mercado Municipal do Parque Guanabara, na Zona Sul de Londrina. No local, apenas um mercado alimentício lembra a imagem tradicional desses espaços públicos, associados à venda de secos e molhados, frutas, carnes, hortaliças, flores, e que estão presentes tanto em cidades interiorianas como nas maiores capitais do País.
A descaracterização do mercado do Guanabara é consequência exemplar do abandono desses locais pelo Poder Público. Os quatro mercados municipais da cidade - além do já mencionado, eles estão presentes nos jardins Shangri-la e Kennedy (Zona Oeste) e na Vila Casoni (Área Central) - funcionam sem contratos, sem regras de utilização, sem fiscalização. Qualquer espécie de manutenção nesses locais depende de iniciativa dos próprios comerciantes ali instalados. E nem sempre há disposição entre eles, como afirma Ricardo Guimarães, 33, dono de um mercado instalado no Guanabara.
''Os comerciantes estão acomodados e na prefeitura não há vontade política para tomar alguma atitude em relação a esses mercados. Neste, só o nosso estabelecimento está de acordo com a finalidade de um mercado municipal. Há vários problemas estruturais que demandam uma reforma. A praça aqui em frente só é utilizada para uso de drogas. Este mercado é uma jóia desprezada em plena Avenida Higienópolis'', argumenta.
Atualmente, os mercados municipais pertencem à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). Os comerciantes pagam uma taxa de ocupação mensal ao órgão. De acordo com o presidente da companhia, Carlos Eduardo Afonseca, não existem sequer documentos que especifiquem de que forma os boxes dos mercados, alguns com mais de 40 anos, foram cedidos aos permissionários.
''Hoje não há nada. Não há um contrato de aluguel ou uma permissão de uso, apenas um alvará de licença. E não posso considerar nada irregular, porque simplesmente não existe um regulamento sobre isso'', afirma Afonseca. Entre as inadequações constatadas pela Cohab em uma primeira avaliação nos mercados, de acordo com o presidente, está a posse de mais de um espaço por um mesmo proprietário. Para ele, contudo, o maior problema é a distorção do papel desempenhado pelos mercados municipais.
''Esses mercados devem prestigiar a cultura regionalizada, ter uma quitanda, uma floricultura, uma venda de hortifrutigrangeiros. Tudo com caráter de empresa, com geração de emprego. Hoje eu não tenho como visualizar um centro como o do Guanabara, por exemplo, como um mercado municipal'', assinala. Afonseca observa que o próprio Município contribuiu para a descaracterização desses locais ao construir, dentro do mercado do Guanabara, uma Unidade Básica de Saúde.
Nesta nova gestão, o presidente da Cohab afirma que o Poder Público tentará resgatar a cultura dos mercados municipais. A primeira medida, diz, será licitar um estudo que irá apontar formas de se desenvolver melhor os mercados. Ele acredita que a prefeitura poderá usufruir das Parcerias Público-Privadas (PPPs) para garantir investimentos nesses locais.

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