Israel Reinstein
De Curitiba
O funcionário público Robson de Oliveira Coelho afirma que o supermercado Mercadorama da Avenida João Gualberto, em Curitiba, pode estar vendendo bandejas de carne pré-embalada com peso abaixo do registrado na etiqueta. Anteontem, ele foi comprar carne moída e constatou, numa balança do próprio mercado, diferenças entre a etiqueta e o peso aferido de até 136 gramas. ‘‘As pessoas não têm o hábito de pesar os produtos e, dependendo do estabelecimento, podem estar sendo enganadas’’, disse o coordenador da Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (Adoc), Fernando Kosteski. A Folha procurou a gerência, que encaminhou à assessoria de imprensa do Mercadorama. A assessoria prometeu para hoje uma resposta.
Robson Coelho contou que percebeu a diferença de peso por acaso. ‘‘Ia comprar carne para fazer o almoço do dia e fiquei em dúvida entre duas bandejas: uma de pouco mais de 700 gramas e outras de 900 gramas’’, afirmou. Como visualmente, parecia que havia mais de 200 gramas de diferença entre as bandejas, ele decidiu pesar as embalagens, no setor de frutas do mercado.
‘‘Tinha uma diferença grande entre a balança e a etiqueta’’, disse. Desconfiado, ele voltou ao setor de carnes e pegou nova bandeja e voltou a dar discrepância. Após fazer quatro tentativas, com embalagens diferentes, ele reclamou na gerência. Como o gerente não estava, ele foi atendido pelo assistente do gerente. Junto com o funcionário do Mercadorama, Coelho refez a pesagem. ‘‘O assistente do gerente mudou de balança e, de novo, deu as mesmas diferenças’’, afirmou.
O funcionário público contou que decidiu comprar aquelas mesmas bandejas para poder reclamar desse desrespeito ao consumidor. Para ter provas, fez o funcionário do Mercadorama colocar a etiqueta com o peso certo na parte de baixo da embalagem. Com isso, é possível comparar as diferenças entre as etiquetas: uma bandeja pesava 642 gramas, mas tinha etiqueta de 778 g. Em outra, a diferença era de 640 g para 748 g; sendo que as outras embalagens tinham 632 g para 762 g e 618 g para 744 g.
Segundo o coordenador da Coordenadoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-PR), Tércio Albuquerque, em caso similares ao de Robson Coelho é possível o consumidor garantir seus direitos. A pessoa lesada pode acionar o Instituto de Peso e Medida (Ipem). ‘‘Em caso de fraude ou adulteração, o estabelecimento pode ter sua balança lacrada e ser multado’’, advertiu o diretor do Ipem, Júlio Félix.
Caso o proprietário alegue erro da balança, o coordenador da Adoc, Fernando Kosteski, afirmou que ele ainda pode ser penalizado. O Código do Consumidor considera a falha como culposa e se denunciada na Delegacia de Proteçao ao Consumidor rende prisão de um a seis meses ao infrator.

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