Entidades de odontólogos de todo o País estão protestando contra a abertura de novos cursos de Odontologia, que geram excesso de profissionais no mercado. Eles reclamam também da falta de melhor qualificação dos recém-formados pela desestruturação dos cursos. Em algumas regiões, as entidades realizaram ontem atos públicos para enfatizar o protesto. Em Cascavel, a Regional da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) prepara um ato para a próxima semana, segundo seu presidente, José Inglêz da Silva.
Ele relatou que há em todo o País 140 faculdades de Odontologia, enquanto nos Estados Unidos são apenas 40, e uma na Suécia e na Holanda. Apesar disto, há mais de 90 pedidos para instalação de novas faculdades, ‘‘e o Ministério da Educação demonstra disposição para autorizar todos eles’’. Anualmente, são formados no Brasil 12 mil dentistas, enquanto na Alemanha e na França, são oferecidas vagas apenas de acordo com o número de profissionais que se aposentam ou falecem no ano anterior. O presidente da Regional da ABO relata ainda que, de todos os dentistas que atuam no mundo, 15% (160 mil) estão no Brasil.
A estatística indica que, no País, a proporção é de um dentista para cada grupo de menos de mil pessoas. Em Cascavel, com menos de 300 mil habitantes, há 350 dentistas atuando. A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) oferece anualmente 40 vagas em seu curso de Odontologia, iniciado há 3 anos, e hoje com o total de 100 alunos. A faculdade particular Unipar considera a possibilidade de instalar novo curso de odontologia no Oeste. A mesma instituição oferece anualmente 160 vagas em Umuarama, no Noroeste. ‘‘A saturação do mercado é evidente’’, comenta Inglêz.
A ABO, além de contestar a proliferação de cursos e sua qualidade, quer que seja facultado ao Conselho Federal de Odontologia criar o exame de banca para os formados atestarem sua qualificação para o exercício da profissão, assim como ocorre com os advogados. O professor Luiz Alberto Formighieri, coordenador do curso na Unioeste, observa que faculdades particulares têm interesse em abrir grande número de vagas, ‘‘porque visam lucro’’, por isso concorda com a exigência da ABO de que haja cursos com qualidade e o exame de banca.

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